Não houve prejuízo aos cofres públicos, diz Chioro
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O ministro da Saúde, Arthur Chioro, voltou a afirmar ontem, durante um evento do programa Mais Médicos, em Curitiba, que a pasta não assinou nenhum contrato com as empresas Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia e a EMS, que estão sendo investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.
As investigações da PF apuram a parceria firmada com as empresas e a negociação que teria sido feita com o Ministério da Saúde (MS) no final do ano passado, a fim de produzir o citrato de sildenafila, usado para tratamento de hipertensão pulmonar. O acordo previa pagamento de R$ 31 milhões em cinco anos.
Segundo informações já divulgadas na imprensa, um dos sócios da Labogen, Leonardo Meirelles, teria afirmado em depoimento à PF que foi o doleiro Alberto Youssef quem conseguiu o financiamento junto ao MS, por meio de "contatos políticos". Interceptações telefônicas apontaram que um destes "contatos" seria o deputado federal André Vargas (PT-PR).
Chioro, entretanto, reforçou que não foi celebrado nenhum contrato e que, por isso, nenhum pagamento foi realizado. "Não houve nenhum prejuízo aos cofres públicos", frisou o ministro. Segundo ele, o que havia era apenas uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), entre o Laboratório da Marinha e as empresas Labogen e EMS, ou seja, uma espécie de protocolo de intenção.
De acordo com o MS, depois que uma parceria deste tipo é firmada, existe um prazo de um a dois anos para que o medicamento comece a ser produzido e, só então, o governo assina contrato para a compra do produto. As PDPs são montadas para transferir a um laboratório público (no caso o laboratório da Marinha) a capacidade tecnológica para produzir insumos, medicamentos e equipamentos.
Chioro lembrou ainda que após tomar conhecimento do teor do conteúdo do relatório da PF, a PDP foi suspensa e uma Comissão de Investigação Preliminar abriu um procedimento interno de apuração. "Muito provavelmente caminharemos no desfecho final para o cancelamento desta parceria. Entretanto, precisamos da produção deste medicamento, então possivelmente reabriremos a busca por outros parceiros para produzi-lo", completou.
Repercussão
Também presente no evento em Curitiba, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), pré-candidata ao governo do Paraná, disse que a campanha eleitoral ainda está longe e que, por isso, é difícil fazer uma avaliação sobre o impacto que as denúncias envolvendo seu colega de partido podem trazer. "O André (Vargas) é um deputado que tem expressão dentro do partido. Obviamente isto tem um impacto para o PT, mas não me cabe fazer julgamento sobre o caso, nem condená-lo ou absolvê-lo. Cabe a ele fazer qualquer esclarecimento", afirmou.
O deputado estadual Ênio Verri, presidente do PT no Paraná, se limitou a dizer que espera que Vargas apresente sua defesa em relação às acusações e que é preciso aguardar a decisão do Conselho de Ética da Câmara.
Prazo
A Polícia Federal (PF) deve concluir nesta semana o relatório sobre a Operação Lava Jato e possivelmente indiciar todas as pessoas presas durante as operações por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A previsão é que até quinta-feira a PF encaminhe o relatório ao Ministério Público Federal (MPF).


