Não houve má-fé e nada que saísse da normalidade
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sábado, 18 de dezembro de 2010
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O ex-secretário de Defesa Social da Prefeitura de Londrina, Benjamin Zanlorenci, abriu a série de depoimentos na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina que apura possíveis irregularidades no treinamento da Guarda Municipal (GM). O depoimento era aguardado com grande expectativa. Zanlorenci, responsável pela implementação da GM, foi exonerado do cargo após uma auditoria da Controladoria do Município detectar o pagamento irregular de R$ 39 mil à Delmondes & Dias, empresa contratada pelo município para fazer o treinamento da GM. Desde a aexoneração, no dia 22 de setembro, Zanlorenci não havia falado sobre a irregularidades apontada pelo auditoria.
O depoimento começou às 8h15 e durou 2h45. Logo após, Zanlorenci concedeu entrevista à imprensa fazendo questão de um local onde houvesse uma mesa para mostrar uma pilha de documentos que levava em mãos. A entrevista aconteceu na sala da presidência da Casa. ''Agora é a hora da verdade.''
Ele foi muito comedido nas palavras, sem fazer referência nominal ao prefeito Barbosa Neto (PDT) ou ao secretário de Gestão Pública, Marco Antonio Cito, adotando a estratégia militar de não esgotar toda munição em um primeiro momento.
Zanlorenci explicou que o curso para formação dos agentes da Guarda Municipal foi orçado em R$ 420 mil e que a empresa prestou o serviço por R$ 303 mil. Ele fez questão de ressaltar a qualificação da empresa e disse que os R$ 39 mil, que seriam usados para o curso prático de tiros, foi transferido para a formação de uma quinta turma com 44 agentes. ''Não houve má-fé e nada que saísse da normalidade'', garantiu.
O ex-secretário considerou ''um absurdo'' o fato de a Prefeitura fazer uma auditoria sem ouvir todas as partes envolvidas, no caso ele próprio e a empresa que prestou os serviços. ''Meu coração está partido'', afirmou, decepciondo. Neste momento, Zanrolenci disse que ''não teve chances de defesa'' e que ''quem está fazendo a acusação deve apresentar as provas''.
O tenente Marcos Mota, que era o chefe de gabinete da Defesa Social, prestou depoimento logo em seguida, com duas horas exatas de duração. Ele estava acompanhado da advogada Andressa Luciano Policeno e não quis conversar com os jornalistas. As palavras finais à CEI foram que saiu com a sensação do ''dever cumprido''. A advogada se limitou a dizer que ''não há nenhuma acusação contra o meu cliente''.
O terceiro depoimento, que seria do funcionário municipal Wagner Trindade, técnico em gestão pública, foi adiado para depois do recesso parlamentar, pela demora nos dois primeiros depoimentos e também porque o presidente da CEI, vereador Jairo Tamura, precisou viajar para Curitiba onde seria diplomado como terceiro suplente de deputado federal pelo PSB.
O recesso na Câmara começa no próximo dia 21 e termina dia 31 de janeiro. A CEI retoma os depoimentos logo depois e deve concluir os trabalhos até o começo de maio.


