Agência Estado
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MajestadeO presidente Fernando Henrique cumprimenta a rainha Elizabeth: ‘‘Nunca antes as perspectivas foram tão concretas’’‘‘Em hipótese alguma o Brasil vai andar para trás’’, garantiu ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso em discurso para 250 empresários ingleses, na Confederação das Indústrias Britânicas. ‘‘Haja o que houver, fiquem certos de que não haverá desvios ou retrocessos.’’ Ele tentou tranquilizar os investidores ingleses ao afirmar que o Brasil sentiu os efeitos da crise, mas responde ‘‘com força e rapidez’’. ‘‘Tratamos de preservar a confiança nos mercados, eliminando qualquer dúvida quanto à nossa determinação e capacidade de defender as conquistas do programa de estabilização’’.
Fernando Henrique interrompeu a leitura de seu discurso para dizer que, no encontro com o presidente norte-americano Bill Clinton, no mês passado, disse não ser possível que dois, três, quatro ou cinco países definam o sistema financeiro internacional. Segundo o presidente, é preciso democratizar as questões de livre comércio no hemisfério. ‘‘Para nós não é bastante discutir apenas a liberalização de tarifas porque um país não é composto só por mercados, mas também por pessoas’’.
O presidente defendeu o programa de privatização do governo brasileiro, citando a área portuária, de petróleo e estradas. Apelou aos empresários que aumentem os seus investimentos no Brasil. ‘‘Espero que a participação de empresas do Reino Unido aumente em 1998’’, disse. ‘‘Estamos precisando cada vez mais de investimentos’’, acrescentou, ressaltando que o Brasil poderá ser a porta de entrada dos países europeus para a América Latina.
De acordo com ele, em 1996 foram US$ 9 bilhões em investimentos diretos estrangeiros e, nos últimos 12 meses, US$ 16,5 bilhões. ‘‘Credibilidade é isso’’, declarou. ‘‘As dificuldades poderão ser maiores ou menores, não estamos sozinhos no mundo e muitas condições não dependem da nossa vontade nacional’’.
‘‘Estamos acabando completamente com o estilo clientelista do Brasil’’, garantiu ainda, acrescentando que tem explicado ao País cada passo que o governo tem dado. Fernando Henrique falou ainda sobre as suas preocupações com os problemas sociais brasileiros. Para ele, o Brasil já não é mais um país subdesenvolvido. ‘‘Mas continua a ser um país injusto e mudar isto é minha prioridade absoluta’’.
O encontro foi aberto pelo presidente da Confederação Britânica das Indústrias, Colin Marshal, que disse que o presidente brasileiro restaurou a confiança dos estrangeiros no País. Segundo ele, esta confiança foi restabelecida pela estabilidade da moeda e porque o País conseguiu adiantar as reformas no Congresso.
O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Reino Unido, Peter Hep, por sua vez, acredita que o investidor estrangeiro pode ainda estar um pouco assustado com a crise financeira, mas que os problemas são perfeitamente compreendidos pelos ingleses. Segundo ele, pode haver uma retração de investimentos momentânea, isto não prejudicará as demais aplicações de recursos no País a médio e longo prazos.
Também ontem, em discurso para a rainha Elizabeth, Fernando Henrique enfatizou: ‘‘Nunca antes as relações entre o Brasil e o Reino Unido tiveram tantas dimensões complementares. Nunca antes as perspectivas foram tão concretas, tão promissoras. E é isso o que me traz a Londres’’.

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