Brasília - O ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse ontem que não há registro oficial de reunião, nas dependências do ministério ou fora dele, entre o ex-ministro Alexandre Padilha e o ex-deputado federal André Vargas, preso na última sexta-feira na Operação Lava Jato. Se o encontro ocorreu, disse o ministro, foi fora da agenda oficial. Indagado se costuma receber parlamentares fora da agenda, Chioro disse que não.
Em despacho na semana passada, o juiz federal de Curitiba Sergio Moro escreveu que há indícios de que o ministério omitiu informação à Justiça, ao não relatar reunião entre Padilha e Vargas que antecedeu a apresentação de uma proposta que beneficiaria a empresa Labogen, ligada a Vargas e ao doleiro Alberto Youssef. Moro citou entrevista concedida por Padilha ao programa de TV "Roda Viva", no ano passado, na qual o ex-ministro confirmou tratativas com Vargas. Chioro negou ter omitido informações ao Judiciário e que o ministério se baseou nos encontros documentados.
Indagado se Padilha será ouvido pelo ministério para esclarecer esse ponto, Chioro disse que "claro que não". "A ele devem ser perguntadas todas as circunstâncias e tenho certeza de que ele dará todos os esclarecimentos."
Segundo o ministro, o órgão já "tomou todas as providências" para apurar o caso Labogen, citando uma sindicância interna e a mudança, em novembro, de uma série de regras sobre as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), área de interesse de Vargas e de Youssef.
Chioro também divulgou que as quatro empresas de publicidade que fizeram pagamentos a empresas de André Vargas receberam ao todo R$ 2,6 milhões da agência contratada pelo ministério, a Borghi Lowe. Segundo a Polícia Federal, a Borghi Lowe repassou dinheiro a Vargas por meio de quatro empresas subcontratadas (Zulu, Sagaz, Luiz Portela e E-noise). De acordo com Chioro, o ministério pagou um total de R$ 123,7 milhões à Borghi Lowe entre 2011 e 2014. O contrato foi assinado com a Borghi Lowe e outras três agências de publicidade que atendem ao ministério em 31 de dezembro de 2010, último dia do segundo mandato do ex-presidente Lula. Na época, o ministério era ocupado por José Temporão, indicado pelo PMDB. Segundo Chioro, o contrato com as quatro agências (Borghi Lowe, Propeg, Agnelo Pacheco e Calia) foi fechado após licitação pública e pelos critérios de menor preço e melhor técnica.

CAIXA

Em nota, a Caixa Econômica Federal esclareceu que nos relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público, que deram embasamento à Operação A Origem, "não houve nenhuma indicação de prática de irregularidades pela Caixa ou por seus empregados." Preventivamente, o banco abriu apuração interna para os fatos objeto da investigação, que envolvem as empresas IT7 e Borghi-Lowe. A comissão constituída terá prazo de 30 dias para a realização dos trabalhos. A Caixa ressaltou que estão suspensos, desde sexta-feira, todos os pagamentos de serviços prestados pelas empresas IT7 e Borghi-Lowe. O banco também não autorizará a execução de novos serviços pelas empresas citadas até que sejam concluídas as investigações.
Ontem, o banco enviou cópia dos processos licitatórios e contratos firmados com as duas empresas à Polícia Federal, Ministério Público, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União. Além disso, transferiu toda a documentação de pagamento desses fornecedores do Arquivo Geral de Goiânia para o edifício sede da Caixa, em Brasília.

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