Não há provas contra Lopes, diz relator
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), considera impossível condenar na Justiça o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes com os fatos levantados até agora nas investigações. Estamos atrás de um fato concreto, daqueles que o suspeito não terá como contestar, disse ontem Souza. Precisamos de um Eriberto (Eriberto França, ex-motorista do ex-presidente Collor de Mello), mas também pode ser um piloto ou um genro, alguém que revele coisas.
Se esse fato concreto ou se essa pessoa não surgir, o relator da CPI teme que a CPI fique apenas em suspeitas. Isso tudo vai ficar só na suspeita se não surgir alguém que fale, afirmou. Na análise feita por Souza, todos os fatos levantados até agora poderão ser questionados na Justiça por bons advogados que, embora também não acabem com as suspeitas existentes, saberão encontrar argumentos que livrem da Justiça o ex-presidente do BC, os irmãos Sérgio e Luiz Bragança e o economista Rubens Novaes.
Mesmo o US$ 1,675 milhão depositado no exterior e que seria de Chico Lopes, de acordo com bilhete assinado por Sérgio Bragança, pode ser questionado na Justiça, no entendimento de Souza. O bilhete não foi sequer registrado em cartório, disse. Na opinião do relator, os advogados de Chico Lopes e de Sérgio Bragança podem dizer que o bilhete era apenas uma brincadeira entre dois amigos para iludir alguém e que o dinheiro não existe. Como nós vamos provar que existe?, questionou.
Souza admitiu ontem que o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e os dois filhos dele que operam no mercado financeiro com a Corretora Link poderão ser chamados a depor na CPI. O senador fez um comentário irônico sobre a opinião de Mendonça de Barros de que os filhos são muito inteligentes, e por isso tem tanto sucesso no mercado financeiro. Eles são tão inteligentes que não perdem uma. O relator, apesar de ter comentado que a convocação do ex-ministro Mendonça de Barros e seus filhos é uma idéia a ser considerada, disse que não há nenhum requerimento na CPI propondo a convocação do ex-ministro. Isso é coisa para mais tarde, afirmou.
O relator informou que recebeu de um senador, que não quis identificar, uma denúncia sobre operações feitas pelo BNDES, durante a gestão de Barros, e que envolveria duas corretoras da família do ex-ministro. Algumas coisas precisam ser explicadas, disse, sem informar que coisas seriam essas. Esse pessoal é muito inteligente, pois só ganha, disse.
O senador João Alberto Souza disse que os técnicos da CPI vão passar o fim-de-semana analisando a documentação protegida por sigilo bancário que chegou à comissão. São vários envelopes lacrados, com dados sobre as pessoas que estão sendo investigadas - inclusive os apreendidos ontem na Macrométrica (ver ao lado).
Souza também disse ontem que provavelmente pedirá a prorrogação do prazo da CPI dos Bancos. Se a prorrogação não sair, a CPI encerrará os trabalhos em agosto. Ele disse que vai pedir novas informações à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e que a CPI dos Bancos vai contratar um especialista do mercado para os analisar. O relator vai analisar também os dados sobre os sigilos bancários que foram quebrados. Os documentos mandados pelo BC estão no cofre da CPI e serão submetidos a uma equipe de especialistas.





