'Não há propina grátis', diz Moro
Curitiba Em seu despacho deferindo a prisão de Guilherme Esteves de Jesus, o juiz federal Sérgio Moro destaca em trecho que "não há, como regra, propina grátis, sendo o usual a inclusão dos valores respectivos como custo a ser suportado ao final pela empresa estatal (Petrobras) e, por conseguinte, pelos cofres públicos". Jesus é apontado pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) como um dos operadores da propina na Sete Brasil - empresa constituída com diversos investidores, entre eles a Petrobras e com recursos provenientes de fundos de pensão da Petros, Previ e Funcef, Valia.
Segundo os investigadores, a Sete Brasil ganhou uma licitação da Petrobras para a construção de 21 sondas para exploração do pré-sal no País e negociou tais contratos com vários estaleiros, sendo seis sondas negociadas com o Estaleiro Jurong. O estaleiro é uma subsidiária do Grupo SembCorp Marine. Cada estaleiro tinha o seu operador responsável pelo pagamento de propinas, sendo Jesus o operador do Estaleiro Jurong.
A maior parte destas informações foram repassadas por Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras e que fez acordo de delação premiada com o MPF. Ao sair da Petrobras, Barusco foi indicado para ser diretor de Operações na Sete Brasil a partir de fevereiro de 2013. Conforme o delator, "em todos os contratos de construção de sondas foi acertado o pagamento de propina de cerca de 1%, depois reduzido a 0,9%, dos valores, e que seria destinado em parte para agentes da Petrobras - Renato Duque e Roberto Gonçalves, que substituiu Barusco na diretoria de Serviços -, parte para o próprio Barusco, além do presidente da Sete, João Carlos de Medeiros Ferraz, e o diretor de participações, Eduardo Musa, e João Vaccari Neto, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT)".
As investigações apontam ainda que os pagamentos das propinas, que totalizariam aproximadamente US$ 8,2 milhões, teriam sido feito feitos por intermédio de transferências no exterior da conta em nome da offshore Opdale Industries Ltd, controlada por Jesus, para contas controladas por Pedro Barusco (offshore Natiras), Renato Duque (offshore Drenos), João Ferraz (offshore Firasa) e para Eduardo Musa (em conta não identificada).
"O quadro probatório revela provas de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, com a utilização, por Guilherme Esteves de Jesus, de contas secretas no exterior para a realização de pagamentos de propinas milionárias a dirigentes da Petrobras e da Sete Brasil", apontou Moro. A reportagem não conseguiu localizar o advogado de Guilherme Esteves para comentar o caso. (R.C.J.)





