Brasília Primeiro comunista a ganhar um gabinete no Palácio do Planalto desde o fim da ditadura militar, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B), é um dos maiores defensores da política econômica conduzida pelo ministro Antônio Palocci: ''Não mudou, não muda e não mudará''. A afirmação, no momento, tem endereço certo: os 27 governadores que em sua maioria defendem mudanças nos rumos da economia e se preparam para a reunião amanhã em Brasília.
Rebelo trabalha para administrar uma poderosa articulação de governadores de todos os partidos. ''Mas não há perspectiva de incêndio nem de exaltação de ânimos'', aposta. Ao longo de toda a semana ele operou para acalmar os governadores insatisfeitos.
''Os governadores são lideranças maduras do País e temos a absoluta consciência de que esse ambiente de cooperação e de entendimento terá continuidade. Eles apresentarão suas reivindicações legítimas. O que tenho registrado é o desejo dos governadores na liberação de recursos públicos para seus Estados e isso, naturalmente, está recebendo um cuidado especial do governo'', diz o ministro.
Rebelo argumenta que a atual política econômica permite a queda da taxas de juros, da inflação, a recuperação do crescimento, a geração de empregos e a distribuição de renda. E rechaça a crítica de que Lula está apenas dando continuidade à política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ''Não estamos continuando a política econômica que gerou o maior déficit em balança comercial da história do País. Em dois anos, nós conseguimos o maior superávit comercial da história.
Para conter as insatisfações da base aliada e também de governadores, Rebelo atuou na equipe econômica para permitir a liberação, na terça-feira, de R$ 213 milhões para atender a emendas dos parlamentares ao Orçamento do ano passado, os chamados restos a pagar. E a promessa, para esta semana, é de liberação de mais R$ 300 milhões para projetos atendidos pelas emendas ao Orçamento deste ano.
Rebelo aposta que as verbas, aliadas à decisão do governo de reduzir drasticamente a edição de medidas provisórias, serão suficientes para garantir a votação dos projetos de interesse do governo até junho, quando os parlamentares se voltam para as eleições municipais.
Quanto à denunciada paralisia no governo, o ministro é taxativo ao negar que haja crise de governabilidade. ''O presidente Lula está no pleno comando das ações do governo. As instabilidades passageiras acontecem, são um fenômeno inevitável em uma sociedade carregada de desequilíbrios regionais, sociais e econômicos''.
A queda da popularidade de Lula, registrada nas últimas pesquisas, pode ser explicada, na opinião de Rebelo, pelo fato de o governo ter sido obrigado a realizar um grande esforço de ajuste das contas públicas. ''Os indicadores econômicos levavam o País para uma situação insustentável e esses problemas serão superados, inclusive os índices de aprovação do governo nas pesquisas, com a retomada do crescimento da economia, que já teve início, com a geração de empregos e a distribuição de renda.''
Rebelo garante que seu antecessor na articulação política do governo, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, está plenamente dedicado a suas funções de coordenação da gestão do governo, mas não deixa de fazer política. ''O ministro Dirceu destacadamente tem uma função política no governo e tem me dado uma ajuda muito importante.''

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