O secretário Luiz Carlos Hauly, em entrevista à imprensa, divulgou uma informação que contesta anúncios realizados pelo governador Beto Richa (PSDB) logo nos primeiros dias de governo. Questionado sobre a situação atual em relação à moratória de 90 dias no Estado, ele pediu que o termo fosse corrigido para ''noventena''. ''Não há moratória, apenas uma avaliação desses pagamentos que deveria ser realizada todos os anos.'' Ele negou que tenha havido suspensão de pagamentos, afirmando que os gastos previstos e com recurso em caixa estão sendo realizados.
Hauly falou sobre a previsão de investimentos no Estado, afirmando já ter recebido recursos do chamado PAC da Mobilidade e honrado investimentos previstos pelo governo anterior. No entanto, o secretário argumentou que o Paraná, hoje, tem apenas um quarto da capacidade de investimentos que chegou a ter na década de 1980.
Ele apontou, ainda, o crescimento do endividamento do Estado, que chegou a R$ 18 bilhões. Contudo, a comparação com períodos anteriores não é fiel, já que foram incluídos os pagamentos devidos de precatórios.
Para o secretário, as finanças do Paraná estão prejudicadas por alguns fatores, entre eles a não arrecação do ICMS da energia produzida em Itaipu - que fica com o Estado receptor - o que representaria R$ 1 bilhão a mais nos cofres, e a guerra fiscal. ''A guerra fiscal que praticamos, nós sabemos da ilegalidade, sabemos que pode ser derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Mas isso só vai acabar quando houver consenso entre os estados. Porque todos estão perdendo.''
Durante sua explanação no plenário da Assembleia, Hauly afirmou que o desafio que tem em mãos é animador. ''Eu não assumo a responsabilidade de equacionar tudo isso sozinho. E acho que o governo anterior não fez tudo o que tinha para fazer só porque não tinha dinheiro''. (M.R.M.)

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