Não há ingerência de filhos, diz chefe da Secom
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quarta-feira, 29 de maio de 2019
Daniel Carvalho/Folhapress 
Brasília - Em uma sessão esvaziada, com apenas dois senadores presentes, o secretário especial de Comunicação do Palácio do Planalto, Fabio Wajngarten, disse nessa terça-feira (28) que não há ingerência dos filhos de Jair Bolsonaro na comunicação do governo. "Não noto essa ingerência dos filhos. O presidente deu à Secom liberdade total para a gente trabalhar tecnicamente", afirmou o secretário, que chegou 20 minutos atrasado à audiência da comissão de Transparência, Governança, Fiscalização do Senado para prestar informações sobre as prioridades e diretrizes da pasta que comanda.
Sem citar o nome de Carlos Bolsonaro, filho do presidente a quem é atribuído o norte da comunicação do pai, Wajngarten disse ter visto o vereador do Rio de Janeiro apenas duas vezes. Indagado especificamente sobre a conta de Bolsonaro no Twitter, o secretário disse que, apesar de toda a comunicação oficial passar pela Secom, as postagens são responsabilidade do presidente. "É óbvio que a senha do Twitter pertence ao presidente. Eu nem entro nesta seara. Ele publica o que ele quer. É direito dele, a conta é dele", afirmou Wajngarten. "Toda linha geral de estratégia de comunicação eu compartilho com o presidente. À medida que o tempo vai passando, vamos ganhando nosso espaço. Nem tudo são flores. A gente ainda tem muito para corrigir. Entendo que há equívocos ainda na comunicação", afirmou.
Ao comentar a troca de farpas entre o escritor Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, e o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), negou que a briga tenha se dado por corte de verbas. "O que notei foi uma disputa de paixão pelo presidente, de quem queria ficar mais perto do presidente", afirmou, antes de, provocado pelo senador Major Olímpio (PSL-SP), dizer em tom de piada que falava de paixão "hétero".
"O que notei, quer seja o professor Olavo de Carvalho -que reitero que nunca o vi, que mora lá fora- e o ministro Santos Cruz -que também estamos embaixo dele com relação à pasta da Comunicação-, era apenas uma acomodação de versões em busca da proteção e promoção da comunicação. Em nada passou perto da disputa de verbas", declarou.


