Não há crise no governo, diz Beto Richa
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domingo, 14 de junho de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Em meio aos recentes problemas em decorrência da greve dos servidores estaduais e de uma série de denúncias envolvendo a mais alta cúpula da Receita Estadual, o PSDB realizou ontem, em Curitiba, sua convenção estadual e empossou Ademar Traiano como novo presidente da legenda no Paraná. E tanto o governador Beto Richa quanto outros líderes do partido negam que a administração tucana esteja desgastada ou em uma crise. "Não há crise. Tentam formar uma crise e ligar qualquer ato negativo ao nosso governo. Meus adversário têm feito isso, dando ênfase muito grande a esta situação da Receita. É importante lembrar que tenho 20 anos de vida pública, dez anos entre prefeito e governador do Paraná, sem denúncias e sem uma condenação sequer", disse Beto.
Conforme as investigações do Grupo de Atuação Especializado de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo de auditores fiscais que fez parte de um esquema de corrupção dentro da Receita Estadual teria arrecadado R$ 38,4 milhões em propina só em 2014. O valor foi angariado, conforme o Ministério Público (MP), por meio de propinas cobradas nas três principais delegacias do órgão estadual, em Curitiba, Londrina e Maringá. Ainda conforme a apuração do MP, R$ 4,3 milhões do valor arrecadado em 2014 teriam sido destinados para a campanha de reeleição de Beto.
O governo reforçou ontem que apoia as investigações conduzidas pelo Gaeco, e refutou a denúncia de que tenha recebido dinheiro de propina durante sua campanha de reeleição. "Ficou muito claro que é um esquema de corrupção que vem ocorrendo há mais de 30 anos. Nós combatemos qualquer desvio de conduta durante quatro anos e continuamos combatendo. Todos sabem como sou intolerante com corrupção e vamos combater com mais profundidade", ressaltou o governador.
Depois da deflagração da segunda fase da Operação Publicano, Beto adiantou que já conversou com o atual secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, a fim de desenvolver mecanismos que possam intimidar qualquer desvio de conduta de agentes fiscais. "Nosso governo tem total interesse que essas investigações sejam abordadas detalhadamente e criteriosamente e, havendo culpados, que sejam punidos com rigor", afirmou.
Para Ademar Traiano, que também preside a Assembleia Legislativa do Paraná, o governador não tem nenhum vínculo com pessoas que cometeram crimes. "Hoje a máquina governamental é algo muito grande e difícil de ser controlado. Os deslizes podem acontecer a qualquer momento, mas o importante é que medidas estão sendo tomadas", frisou.
Ele também acredita na recuperação da imagem do governador depois de quatro meses conturbados. "Todos temos consciência de que a popularidade dele caiu e muito, mas isso ocorreu principalmente em função ao ajuste fiscal. Tenho absoluta certeza de que, muito em breve, retomaremos o grau de confiança da população. Vamos dar a volta por cima."
Valdir Rossoni, deputado federal e ex-presidente do PSDB estadual, criticou as denúncias contra o governador e disse que estão tentando transformá-lo num "homem agressivo". "Nunca vão conseguir. O governador tomou todas as providências e mudou todo o comando da Segurança Pública." Sobre as denúncias que surgiram dentro das investigações envolvendo a Receita, Rossoni destacou que parecer ser "um prazer" da grande imprensa colocar o empresário Luiz Abi Antoun como parente do governador. "Você tem primo, eu também tenho. Tenho bons primos e maus primos, tenho boas pessoas e más pessoas perto de mim. Imagina se isso vai manchar a figura do Beto? Claro que não", concluiu.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly, eleito vice-presidente da legenda no Paraná, acredita que, independentemente das críticas e denúncias que têm ocorrido, o partido continuará forte e bem estruturado no Estado. "Está na hora de separar o joio do trigo, tudo será esclarecido. Sobre as investigações não vou poder emitir opinião porque ainda é somente uma intenção de apuração. Mas queremos ver exatamente o que tem e se alguém deve, deve pagar, sem dúvida."


