'Não fui a única que assinei a compra dos livros', diz secretária
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A secretária de Educação de Londrina, Karin Sabec, considerou injusto o fato de ser a única responsabilizada em ação do Ministério Público pela compra sem licitação de 13.500 livros da coleção ''Vivenciando a Cultura Afrobrasileira e Indígena''. O material foi apontado como racista por entidades ligadas ao movimento de igualdade racial e por preço muito superior a produtos similares encontrados no mercado. Karin é acusada de improbidade administrativa e deve devolver sozinha R$ 621 mil. ''Houve uma falha, um erro na compra dos livros, mas não fui a única que assinei. Muitos funcionários trabalharam nisso. O secretário de Gestão Pública (que era Marco Cito) assinou, o prefeito assinou'', declarou Karin.
''Com certeza absoluta o secretário deveria ter sido incluído. É a Gestão Pública quem faz todo o processo de compra.'' A secretária voltou a insistir que encomendou um livro (pedagogicamente adequado) da mesma editora - Ética do Brasil - porém, com nome diferente: ''História da Cultura Afrobrasileira e Indígena''. Ela alega que foi a esta coleção que deu sua concordância, quando encaminhada pela assessora de Igualdade Racial, Fátima Beraldo. ''Mas houve um erro na Secretaria de Gestão e eles encomendaram o Vivenciando.''
Apesar disso, no procedimento administrativo do MP a solicitação de compra de material - que Karin disse ter assinado sem ler - consta expressamente o pedido para a compra do ''Vivenciando...'' A secretária admitiu, finalmente, que não havia parecer pedagógico em favor da obra, mas, sim, uma justificativa de cinco linhas em seu pedido de compra. ''Não há lei alguma que me obrigue a ter um parecer pedagógico.'' Publicamente, a secretária sustentava que um suposto parecer da equipe pedagógica da secretaria justificou a escolha da coleção e a inexigibilidade de licitação. Ela não comentou sobre os livros serem mais caros do que obras semelhantes no mercado. ''Eu não faço orçamentos. É função da Gestão Pública.'' Cada livro custou R$ 46. O MP encontrou obras semelhantes por até R$ 24,50.
A secretária também criticou o trabalho do Ministério Público. ''Já estou condenada. O Ministério Público faz parecer que há corrupção em tudo.'' Ela também não poupou críticas ao Fórum das Entidades Negras de Londrina (Fenel), autor da denúncia que levou o MP a analisar o conteúdo dos livros e determinar o recolhimento. ''Se não fosse o Fenel, o livro teria sido trabalhado normalmente nas salas de aula e os professores desprezariam ou corrigiriam os pontos tidos como racistas'', defendeu.
O secretário Marco Cito não quis comentar as declarações da colega: ''A ação já está proposta: assunto morto.''


