Curitiba – O procurador da República, Deltan Dallagnol, afirmou ontem, que o MPF se baseia em fatos e atos concretos e que não está julgando o papel de José Dirceu ao longo da história, na luta pela democracia. "José Dirceu foi um importante líder político brasileiro. Ele representou, por muito tempo, os ideais de muitos. Aqui, nós não julgamos José Dirceu, não julgamos pessoas ouvidas, mas fatos e atos concretos. Não está em questão quem foi José Dirceu ao longo da história", explicou.
Segundo a denúncia encaminhada ontem à Justiça Federal, o ex-ministro foi responsável pela indicação de Renato Duque à diretoria de Serviços da Petrobras e, por isso, recebia vantagens indevidas da estatal. Os pagamentos ocorreram ao longo de dez anos, entre 2004 e 2014. "Não está em questão o que ele (Dirceu) fez pela consolidação da democracia no nosso País, mas sim se ele praticou fatos que são crimes em um contexto determinado. E as provas e evidências nos dizem que sim. Ele praticou crimes graves e deve ser responsabilizado como qualquer pessoa", completou Deltan.
Por ter praticado crimes depois da conclusão do processo do Mensalão, segundo os investigadores, Dirceu pode ser considerado um criminoso reincidente. Nesta situação, é possível que o Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou a ação penal 470, imponha ao político também o agravante de maus antecedentes. "Com a finalização da denúncia de hoje, também foi feito um pedido à Suprema Corte para que seja feita a regressão de regime para o Dirceu. Ele estava cumprindo pena no regime semiaberto pelo Mensalão, mas com o fato dele ter cometido crimes mesmo depois de sua condenação, os ministros podem decidir regredir a pena dele do semiaberto para fechado, independente dele vir a ser condenado na Lava Jato", afirmou o procurador Roberson Pozzobon.

UM SÓ ESQUEMA


Durante a coletiva o procurador Deltan Dallagnol ainda ressaltou que é importante aproveitar o momento para promover mudanças substanciais tanto na legislação criminal quanto na maneira de se fazer política no País, como por exemplo no financiamento de campanhas eleitorais. "O fato é que Mensalão e Petrolão são um só no mesmo esquema. E este esquema político-partidário de corrupção alimenta, não só os financiamentos de campanhas políticas caríssimas, mas também alimenta o próprio bolso dos corrompidos e dos corruptores. Corrupção não é um ônus de um partido ou de um governo, é endêmica. Temos corrupção ao longo da história, por isso as mudanças são urgentes", completou. (R.C.J.)

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