Não espero nenhum milagre de Lerner
Folha - A proposta de mais impacto na sua campanha eleitoral foi a construção do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Quando vai estar funcionando?
Belinati - Queremos ter esta obra concluída até o final de 1998. Apresentei emenda ao Orçamento do Estado e a Comissão de Orçamento me deu uma grande alegria porque acolheu três emendas que eu apresentei para poder executar alguns compromissos que eu assumi com o povo de Londrina. Uma das emendas acolhidas destina R$ 500 mil para o futuro centro de eventos de Londrina.
Folha - Isto é 10% do custo do projeto, que está orçado em R$ 5 milhões.
Belinati - Já é um começo, porque, havendo a dotação no Orçamento do Estado, o governador pode suplementar este recurso. A mesma comissão acolheu outra emenda minha destinando R$ 1 milhão para o futuro distrito industrial de Londrina, que será na zona norte, próximo dos Cinco Conjuntos. Outra emenda minha que a comissão aprovou destina R$ 1,5 milhão para o PAI.
Folha - R$ 1,5 milhão é o suficiente para concluir a obra?
Belinati - Não dá. Isto é só uma parte, porque os equipamentos custam caro. Mas estou muito confiante de que é a obra que vai consagrar meu terceiro mandato como prefeito.
Folha - E o Banco do Pequeno Empreendedor, vai sair também?
Belinati - O nosso vice-prefeito, Alex Canziani, já está trabalhando com essa idéia. Estamos querendo destinar parte dos recursos da venda das ações do Sercomtel para um fundo que funcionará sob a jurisdição da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina). É bom lembrar que não é um banco para emprestar grandes somas de dinheiro. É um banco que vai emprestar R$ 300 para a mulher que precisa comprar umas panelas para fazer uns doces para vender, vai emprestar R$ 1.000 para a costureira que precisa comprar a máquina, pano e linha para costurar roupa e vender, emprestar um pouco mais para o artesão que não acha emprego e quer ter seu próprio negócio. O Banco do Empreendedor, na Europa, é o tipo do negócio que mais gera emprego. Os negócios caseiros, no fundo de quintal, através de dez empregos aqui, 20 ali, geram maior quantidade de empregos com maior rapidez. Muitas vezes o prefeito passa quatro anos investindo para levar uma Pepsi-Cola para Londrina e ao final se chega à conclusão que não era uma fábrica da Pepsi-Cola, mas apenas um barracão. O dinheiro que foi investido na Pepsi-Cola - e não há culpa do prefeito Cheida nisso, ele apostou acreditando na seriedade do grupo que representava a Pepsi-Cola no Brasil, mas hoje estamos diante de uma realidade: a Pepsi não vai montar nenhuma fábrica em Londrina -, só o dinheiro investido no terreno e na infra-estrutura para a futura fábrica da Pepsi que não aconteceu daria para atender uma grande quantidade de pequenos empreendedores.
Folha - O senhor vai mesmo reduzir o IPTU? A redução atinge apenas o imposto e não as taxas, que representam 50% do valor pago pelos contribuintes, que terão então uma redução de 15% no valor pago?
Belinati - Taxa não é da prefeitura. Seria uma estupidez o prefeito querer legislar sobre uma área que não é dele. O IPTU sofrerá uma redução de até 30%. Queremos atender quem está em dificuldade para pagar o IPTU. Quem tem uma rede de imóveis não precisa receber vantagens. Com o apoio da Câmara, vamos fazer esta redução, em que pese a Câmara ter aprovado recentemente uma lei furando a fila, porque os vereadores sabiam que esta é uma plataforma de campanha do Antonio Belinati e, mal passou a eleição, o que não fizeram até aquele momento resolveram fazer após a eleição, querendo chupar uma idéia minha, que lancei como candidato a prefeito.
Folha - Como o senhor se posiciona na polêmica sobre o projeto da Câmara que dá descontos aos devedores do IPTU?
Belinati - Me posiciono com muita clareza: a cada lei aprovada de maneira irregular, o município de Londrina acionará o Poder Judiciário. Os vereadores conhecem suas atribuições e sabem que em matéria financeira não podem legislar. Já orientamos nosso futuro secretário de Negócios Jurídicos (Eduardo Ferreira): se ele entender que alguma matéria eventualmente aprovada pela Câmara não estiver de acordo com a Constituição, pode ser antipática nossa medida a alguns vereadores, mas não vamos ter nenhuma complacência com o que contrarie nossa Constituição.
Folha - Mas o senhor é contra ou a favor do desconto aos que estão com o IPTU em atraso?
Belinati - Entendo que isto é um desrespeito a quem pagou em dia. Se continuar neste ritmo daqui a pouco ninguém vai pagar mais nada, sabendo que sempre quando for final de administração vale tudo.
Folha - Sobre o relacionamento da prefeitura com o governo estadual, o governador Jaime Lerner vai ter uma importância tão grande na sua administração como teve na sua campanha eleitoral?
Belinati - Não espero nenhum milagre do governador Jaime Lerner e nenhum favorecimento anormal para a cidade de Londrina. Estamos muito confiantes num tratamento justo. Vamos pleitear aquilo a que a cidade tem direito e trazer idéias interessantes para o governador. Não posso ficar sentado na poltrona de prefeito esperando que o governador Jaime Lerner vá a Londrina resolver problemas que cabem a mim como prefeito solucionar. Vou bater a porta do governo do Estado com projetos criativos. E vou bater à porta do governo federal e vou mais longe, vou à porta do Banco Mundial, e vou à porta do BID.
Folha - O senhor planeja um papel especial da vice-governadora Emília Belinati nesta relação da Prefeitura de Londrina com o governo do Estado?
Belinati - Não tenho dúvida de que a Emília, que nasceu em Londrina, que tem uma paixão grande pela cidade, dentro da sua possibilidade vai fazer o impossível para ajudar a cidade de Londrina.
Folha - Como o senhor espera que vá ser sua relação com a futura Câmara de Londrina?
Belinati - Fui prefeito por quase dez anos e nunca tive qualquer dificuldade de relacionamento com a Câmara. Pelo número de vereadores que tem me procurado, nós vamos ter uma maioria tranquilíssima na Câmara. Não há nenhum tipo de preocupação. O relacionamento com a Câmara se fará no dia-a-dia. Sempre tive muita humildade no trato com os vereadores, fui vereador e sei do papel importante que o vereador desenvolve.
Folha - Quem vai ser o líder do prefeito na Câmara?
Belinati - Estamos esperando para definir quem vai ser o nosso candidato à presidência da Câmara para ficar liberado para escolher quem será o líder.
Folha - Então o senhor faz questão de eleger o futuro presidente da Câmara?
Belinati - Procuraremos trabalhar no sentido de que seja eleito um presidente para servir à cidade de Londrina. Se houver algum candidato querendo se eleger para demonstrar que tem força, que derrotou o prefeito, não tenha dúvida de que poderemos ter preferência por outro candidato. Isto faz parte do processo democrático. O que não pode é colocar a eleição do presidente da Câmara como uma revanche (da eleição para prefeito).
Folha - O projeto de renda mínima apresentado pelo vice-prefeito eleito Alex Canziani como vereador foi aprovado em 1995 e poderia ter sido implantado este ano pelo prefeito Cheida, que preferiu deixá-lo na gaveta. O senhor pretende mexer nisto? Dá para compatibilizar o programa com o projeto bolsa-escola, apresentado pelo candidato Paulo Bernardo (PT), que o apoiou no segundo turno?
Belinati - Hoje o melhor projeto de renda mínima seria regularizar a situação dos operários da frente de trabalho da prefeitura, que estão trabalhando sem registro em carteira, a maioria sem uniformes, a cesta básica foi retirada, um contingente de mil e tantos trabalhadores. Nós precisaríamos primeiro acertar a situação deste pessoal, para depois pensar em ajudar aqueles que estão de fora.
Folha - E a bolsa-escola? O senhor chegou a assumir com o Paulo Bernardo o compromisso de implantar o projeto?
Belinati - É um grande projeto. Vamos depois conversar com o deputado Paulo Bernardo para viabilizar este projeto, que achei muito importante.





