"A lógica nossa está em nós termos um candidato que agregue a todos, porque até agora nenhum conseguiu", diz Ricardo Barros
"A lógica nossa está em nós termos um candidato que agregue a todos, porque até agora nenhum conseguiu", diz Ricardo Barros | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Curitiba – Após mais uma reunião frustrada da cúpula do "centrão", que na noite de quarta-feira (11) não conseguiu chegar a um consenso sobre quem apoiar na disputa para a Presidência da República, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) surpreendeu e manifestou sua intenção de concorrer. "Não houve habilidade ou articulação suficiente para que entregassem tempo de televisão a Ciro Gomes (PDT-CE), Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ou Alvaro Dias (PODE-PR). E, como não está havendo convergência, eu propus um nome novo", disse, em entrevista por telefone à FOLHA.

Marido da governadora do Paraná e pré-candidata à reeleição, Cida Borghetti (PP-PR), ele evitaria assim uma aliança de seu partido com Ciro. O pedetista é correligionário de Osmar Dias (PDT-PR), que também mira o Palácio Iguaçu. "A lógica nossa não está em esse candidato ou aquele, mas está em nós termos um candidato que agregue a todos, porque até agora nenhum conseguiu", ponderou. "Todos os partidos, ou quase todos, liberam a ação nos Estados. É desvinculada da decisão nacional. Não tem candidato no nordeste que seja bom para o sul e do sul que seja bom para o nordeste", prosseguiu.

O encontro de anteontem ocorreu na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília, e reuniu diversas lideranças do "centrão". O bloco une siglas como PR, PTB, PSC, PRB, PR e PSD, além de PP e DEM. Surgiu em 2016, por iniciativa do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB/RJ), hoje preso. Apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e é considerado estratégico para as eleições de outubro. Representando o PP, o senador Ciro Nogueira (TO) teria deixado clara sua preferência por Ciro e afirmado ser muito difícil um acordo com Alckmin, justamente devido às disputas regionais.

TRAJETÓRIA

Com 30 anos de vida pública, Barros foi prefeito de Maringá, teve cinco mandatos de deputado federal, foi relator geral do Orçamento da União na Câmara, secretário de Indústria e Comércio do Paraná e, mais recentemente, ministro da Saúde de Temer. Ele pode ser o terceiro paranaense na disputa ao Palácio do Planalto. Os outros são Alvaro, já confirmado, e Roberto Requião (MDB-PR).
"Fiz uma gestão muito eficiente [no Ministério], com atendimento aos parlamentares muito bom. Tenho crédito na Casa e amigos. Lideranças estão se manifestando sobre essa candidatura. Estou muito bem", comentou.

Para o ex-ministro, sua pré-candidatura é também um "gesto de desprendimento". "Tenho responsabilidades no Paraná: a campanha da governadora, que está firme, e a minha campanha de deputado federal, já pronta. Foi desprendimento meu colocar o nome para, se houver interesse dos outros partidos, construir, Não é disputa; é construção", comentou. O pepista estimou que, se a candidatura for encampada pelos partidos de centro, começará com quase 25% de tempo de televisão. A convenção do PP está marcada para 2 de agosto.

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