Em um recado direto ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ontem que os senadores não devem se preocupar com os excessos cometidos contra eles. "Como presidente do Senado, toda vez que cometem excessos contra algum senador, eu fico preocupado. Temos que ter preocupação quando se cometem excessos contra a instituição." Renan falou em resposta a uma fala do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que também teve a prisão pedida por Janot. "Infelizmente, esses fatos nos levam a ser vítimas de um processo que até agora eu não posso responder porque até hoje não consegui acesso nem às gravações, nem à delação do senhor Sérgio Machado. Emiti duas notas sobre esta questão mas agora vou aguardar com a tranquilidade de quem fala a verdade que esta questão possa ser resolvida no curto prazo", disse Jucá.
Para Renan, qualquer movimento dos senadores neste momento pode ser interpretado como uma interferência na separação entre os Poderes. "Mais do que nunca, é preciso exercitar a separação dos poderes e esperar com tranquilidade a decisão da Suprema Corte. Qualquer movimento que fizermos a mais parecerá que estamos danificando a separação dos Poderes. Mais do que nunca é preciso falar pelo silêncio. O meu silêncio será uma manifestação retumbante."
Os advogados do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, afirmaram que não irão se manifestar. Ele tem negado recebimento de propina e envolvimento com irregularidades.
O ex-presidente da República e ex-senador José Sarney (PMDB-AP) disse, por meio de nota, que está "perplexo, indignado e revoltado" com o pedido a prisão dele. "Dediquei 60 anos da minha vida pública ao País e à defesa do Estado de Direito. Julguei que tivesse o respeito de autoridades do porte do Procurador-Geral da República. Jamais agi para obstruir a justiça. Sempre a prestigiei e a fortaleci. Prestei serviços ao País, o maior deles, conduzir a transição para a democracia e a elaboração da Constituição da República", destacou Sarney no documento. Ele acrescentou ainda que o Brasil conhece a trajetória dele e o cuidado que sempre teve no trato da coisa pública. (Das agências)

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