Não deixaremos pedra sobre pedra, diz Lula
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
Folhapress 
Brasília - Diante do agravamento da crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu contra-atacar, usando como arma seu programa quinzenal de rádio. Na edição que foi ontem ao ar, Lula afirmou ficar ''indignado'' com casos de desvio de recursos públicos e que, ao investigar as denúncias de corrupção, o Executivo não deixará ''pedra sobre pedra''. ''Estamos fazendo aquilo que é o papel do Poder Executivo. Tem o papel da Justiça, tem o papel da polícia, tem o papel do Ministério Público, mas naquilo que for pertinente à ação do Poder Executivo, nós não deixaremos pedra sobre pedra, iremos investigar'', disse Lula no programa ''Café com Presidente'', gravado domingo.
No programa, Lula admitiu sua preocupação com as investigações no Congresso, atacou os que fazem acusações sem provas e, ao final, pediu ''desculpas'' aos ouvintes por ter elevado o tom de voz em trechos da entrevista. Falando mais de uma vez sobre ''indignação'', o presidente disse que mostrará à sociedade que é possível acabar com a corrupção no país. ''Gostaria que um dia o Brasil atingisse o nível que atingiu a Operação Mãos Limpas, na Itália (a partir de 1992). Se depender do meu esforço pessoal, nós vamos aproveitar esse momento para fazer as coisas que têm que ser feitas no Brasil, porque nós precisamos mostrar para a sociedade brasileira que é possível acabar com a corrupção no Brasil.''
Lula enalteceu o papel da imprensa na investigação, mas a criticou por às vezes omitir nomes de pessoas e empresas. ''A imprensa joga um papel importante quando publica as coisas. Gostaria que as publicações tivessem nomes de pessoas, tivessem nomes de empresas, porque aí fica muito mais fácil a investigação.''
Sem citá-lo nominalmente, Lula mandou um recado ao presidente do PTB, Roberto Jefferson, suspeito de corrupção no caso dos Correios e autor das denúncias sobre suposto esquema de pagamento de mesada pelo PT a deputados do PL e do PP. ''Eu sempre acho que quando alguém denuncia alguém, quem tem que provar o que está denunciando é quem está acusando, porque, aí, a Polícia Federal, o Ministério Público têm como investigar mais profundamente.''
Lula defendeu a investigação das denúncias pelo Congresso, mas se disse temeroso em relação aos temas de interesse do governo na pauta do Legislativo: ''É preciso apurar tudo. Agora, é preciso que a gente tome cuidado para não deixar que o Congresso fique só cuidando disso e não aprove as coisas que têm de ser aprovadas, de interesse do Brasil'', disse.
Depois da CPI dos Correios, o presidente teme que a instalação de outra CPI, a do ''mensalão'', paralise o Congresso. Em reunião com ministro da coordenação política do governo, Aldo Rebelo, pela manhã, Lula afirmou que as medidas provisórias que não são consideradas imprescindíveis devem ser transformadas em projetos de lei.
Lula pediu ''paciência'' à sociedade, disse que a questão da corrupção no Brasil ''não é uma coisa nova'' e lembrou de sua mãe ao tratar do tema. ''Sou filho de uma mulher que morreu aos 64 anos analfabeta, e ela dizia para mim sempre o seguinte: ''O que um homem não pode perder é o direito de andar de cabeça erguida'.''


