Divulgação/ObritonewsCena O agravamento da crise financeira mundial no Brasil obrigou o presidente Fernando Henrique Cardoso a levar o assunto para seu programa eleitoral de rádio e televisão e para os palanques. Em encontro com 70 prefeitos e mais tarde num comício para cerca de 5 mil pessoas, na praia de Pajuçara, em Maceió, sábado à noite, o candidato à reeleição repetiu que está ‘‘brigando pela estabilidade do real e vai continuar’’. Mas o presidente tenta explicar a crise num contexto satisfatório à sua imagem, preocupado em afirmar que o Brasil tem credibilidade no exterior.
Fernando Henrique criticou a oposição e insinuou que só ele, como governante, tem capacidade para enfrentar a crise. ‘‘Não adianta ficar agourando’’, disse o presidente. ‘‘Os nossos adversários vão ficando cada vez mais desesperados e começam a criar um clima de perplexidade, mas quanto mais fizer clima de terror... Olha, se está difícil, é melhor entregar a quem tem competência de dirigir esse negócio’’, sugeriu, no discurso aos prefeitos. ‘‘Por que vai dar para quem não sabe? Vai dar é para quem tem experiência’’, continuou o presidente, lembrando que é a terceira crise financeira que enfrenta no governo, desde a turbulência no México em 1994.
O presidente cobrou do Congresso a votação das reformas e disse que sem elas não há como o governo manter a estabilidade. ‘‘Sem reforma da Previdência, reforma fiscal, do Judiciário, política, nós não vamos ter estabilidade; não me venham votar não e depois cobrar estabilidade’’, sustentou ele.
A rápida viagem de Fernando Henrique a Maceió foi um apelo em favor das candidaturas de dois aliados, Manoel Gomes de Barros (PTB), o Mano, candidato ao governo do Estado, e o senador Guilherme Palmeira (PFL) que disputa reeleição. Os dois enfrentam grande dificuldade na disputa com o favorito ao governo estadual, Ronaldo Lessa (PSB) e sua candidata ao Senado, Heloísa Helena (PT).
Fernando Henrique participou, durante meia hora, de um comício na praia de Pajuçara, também para pedir votos a Mano e Palmeira e aproveitou para falar ao povo que ‘‘o real continuará válido, porque é o salário do trabalhador’’. Quando deixou o comício, FHC ganhou, do frei Adalberto da Soledade Silva, uma imagem de São Francisco de Assis e um crucifixo. FHC beijou a cruz e agradeceu ao religioso, que lhe pediu mais justiça e paz para os menos favorecidos do País.

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