'Não acredito em um salto de qualidade na Câmara'
Os episódios envolvendo dois vereadores em suposto esquema de propina devem exigir uma postura mais crítica da Câmara Municipal de Londrina que retoma 2018 envolta em notícias negativas. Um pedido protocolado pelo vereador Filipe Barros (PRB) pede que seja aberta uma Comissão Processante já foi acatado pela Mesa Executiva e poderá indicar a cassação dos mandatos. "A população estará atenta em relação aos dois investigados. Se a Câmara irá adotar ou não uma postura corporativista", ressaltou o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Elvi Cenci.
Segundo o analista, há 10 anos o Legislativo não se posicionou com contundência em relação aos outros vereadores investigados em um esquema semelhante de cobrança de propina para aprovação de projeto de lei envolvendo vários vereadores. À época, apenas Orlando Bonilha teve o mandato cassado. "O que aconteceu depois disso foi que houve a maior renovação da história após as eleições seguintes. É claro que é preciso comprovar o que foi levantado nas investigações de agora."
Apesar do momento de crise exigir mais dos vereadores, o analista político disse não acreditar num "salto de qualidade" da Câmara. Segundo Cenci, o Legislativo terá de assumir um "protagonismo", o que não ocorreu em 2017. Ele acredita que a Casa precisa ter uma agenda própria, não ficar a reboque do Executivo. "Ela já está bastante desgastada com os escândalos. O último ano já foi ruim para imagem da Câmara." Ele citou projetos de baixa relevância apresentado por vereadores. "Não precisamos de projetos novos. Precisamos revisar projetos, refinar legislação."
NOVO IPTU
O professor da UEL também acredita que a cobrança em torno do "novo IPTU" não será esquecida pelos contribuintes mesmo com os holofotes voltados à Operação ZR3. "As pessoas sabem que eles votaram pelo aumento, isso não será esquecido. A tal ponto que eles próprios procuraram o prefeito para conversar." Cenci pontuou ainda que a proximidade que os vereadores têm com o eleitorado torna a situação deles ainda mais difícil. "O Executivo ainda tem um trunfo para apresentar caso o aumento do imposto se reverta em obras. Já os vereadores não têm o que justificar para demostrar esse apoio irrestrito ao Executivo." (G.M)





