O candidato a vice na chapa do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), o deputado estadual Beto Richa (PTB), garante que, se for eleito, sua função não será ‘‘de figuração’’. Já o candidato a vice na chapa de Ângelo Vanhoni (PT), José Maurino de Oliveira Martins, declarou que promete ser o ‘‘porta-voz’’ dos movimentos sociais junto à prefeitura.
Beto Richa (PTB) está em seu segundo mandato na Assembléia Legislativa. Ele ressaltou que não pretende ser uma figura decorativa. ‘‘Quando fui convidado para ser vice, disse ao Cassio que em hipótese alguma aceitaria ser simplesmente vice, ficar atrás de uma mesa como uma figura decorativa’’, conta.
O filho do ex-governador José Richa pretendia, antes das convenções partidárias, ser o candidato do PTB a prefeito. Mas, depois de formalizado o acordo com o presidente nacional de seu partido – o deputado federal José Carlos Martinez – ele acabou sendo o indicado para ser o vice de Cassio. Além da indicação do vice, informa o deputado, o PTB terá o direito de indicar nomes para ‘‘secretarias estratégicas e importantes’’ da administração.
Beto, no entanto, assegura que não foi definido ainda quais serão as pastas. ‘‘O PTB tem ótimos quadros, tanto políticos como técnicos e pode contribuir bastante para a administração.’’ Formado em Engenharia Civil, o deputado do PTB afirma que pretende atuar como vice-prefeito nas áreas onde puder ser ‘‘mais útil’’. Ele não descarta a possibilidade de vir a acumular uma secretaria de governo com a vice-prefeitura.
Na opinião de Beto, a coligação vai conseguir reverter a situação desfavorável em que se encontra no começo da campanha do segundo turno. ‘‘Eles (a oposição) têm que vir a público e dizer alguma coisa. Agora o Vanhoni não tem mais como se esconder atrás dos outros candidatos que batiam, enquanto ele fazia o papel de bom moço na televisão. De fato ele foi o melhor ator no primeiro turno.’’
Beto admite que a cordenação da campanha pela reeleição cometeu alguns erros estratégicos, que levaram a disputa para o segundo turno. Ele citou o clima de ‘‘já ganhou’’, e os ataques ‘‘mal respondidos’’ à oposição, como alguns desses equívocos.
Com pequena participação no horário eleitoral gratuito, a principal função de Martins na campanha de Vanhoni é atuar junto às igrejas de Curitiba – um segmento social onde os partidos de esquerda sempre encontraram resistência. Martins é filiado ao PPS e transita com desenvoltura entre católicos e protestantes.
Católico, ex-ministro da Eucaristia (leigo que auxilia o padre nas celebrações), Martins atualmente milita na Pastoral do Negro. Ele é casado com Célia Maria, uma auxiliar de enfermagem de 40 anos, fiel da 1ª Igreja do Evangelho Quadrangular (instituição pentecostal). No primeiro domingo de cada mês, o candidato acompanha a mulher ao culto.
O principal fruto do trabalho de Martins no setor religioso será a instalação do Comitê dos Evangélicos, na segunda-feira. Ele disse que já foram arrebanhados mais de 40 pastores. ‘‘É o comitê que mais cresce’’, afirma. ‘‘Eles perceberam que o atual grupo de poder, que perdeu a capacidade de dialogar com a sociedade, está fazendo terrorismo contra nós.’’
Nascido em Campo Mourão, Martins mora há 12 anos em Curitiba. Formado em Administração de Empresas, com pós-graduação em Administração Pública e Economia do Trabalho, é funcionário da Secretaria Estadual do Trabalho. Entre 1993 e 1995, foi diretor administrativo da Universidade Popular do Trabalho (hoje Universidade Livre do Trabalho), instituição do governo estadual que atua na formação política do trabalhador.
A candidatura a vice é a segunda participação de Martins em eleições. Ainda em Campo Mourão, tentou eleger-se vereador pelo PMDB, seu antigo partido, sem sucesso. Militante de movimentos negros, intregra o Núcleo da Negritude do PPS paranaense.

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