A disputa pelo governo do Estado nas eleições deste ano trará entre as 11 opções, nove candidatos que nunca tentaram o Palácio Iguaçu. Destes, dois são os experientes senadores Flávio Arns (PT) e Osmar Dias (PDT). Os outros sete, além de quase desconhecidos do eleitorado, têm também como ponto comum as siglas consideradas ''nanicas'', com pouca representação política.
Nenhum desses partidos tem por exemplo, filiados na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados e, com exceção do Psol, que se coligou com PSTU e PCB, todos irão lançar chapas puras.
Devido à falta de representação nos legislativos, os partidos nanicos têm também pouquíssimo tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. A maioria deles vai contar apenas com o 1/3 do horário distribuído igualitariamente entre os candidatos: cerca de 40 segundos por programa.
Mesmo com o pouco tempo de propaganda gratuita, o professor de Ciências Políticas da PUC-Curitiba, Antonio Celso Mendes, acredita que esses partidos vêem as eleições como oportunidade de divulgação da sigla e das idéias. ''Eles sabem que a candidatura não tem viabilidade de eleição, mas representa um momento de divulgação das idéias partidárias. A gente tem que olhar isso sob o prisma ideológico como sendo um momento de afirmação. Eles sabem que não vão ser eleitos mas se tornam foco de atenção porque têm o auxílio da mídia. O partido só lucra com isso'', avaliou.
Para o professor de sociologia da Unifil e PUC-Londrina, Cézar Bueno, há também os partidos fisiológicos que buscam na eleição outra forma de obter lucro. ''Os partidos fisiológicos lançam candidatos apenas para barganhar benefícios no processo eleitoral. Partidos com chance de eleição podem utilizar um partido pequeno que tem 30 segundos na televisão para atacar outro candidato com chances. Há uma troca tanto em uma eventual vitória ou até em espécie'', disse.
Bueno ainda destacou que é preciso discernir os fisiológicos dos ideológicos. ''Para os fisiológicos, a eleição é uma maneira de buscar recursos e serem financiados por maiores em troca de favores eleitorais em um futuro governo e há partidos que lançam candidatos para se tornar conhecidos, o que é fundamental, que são pequenos na representação política mas defendem uma concepção de país, de sociedade.''
Para o presidente da comissão provisória estadual do PRTB, Marino José Teixeira, um partido político - independente do tamanho - tem que ter candidatura própria. ''Temos convicção que um partido só é partido quando tem candidato. Não somos sigla de negociação, sigla de gaveta. Temos que nos preparar para participar do momento democrático que é a eleição'', argumentou. Teixeira é um dos únicos presidentes dos partidos nanicos que não é o candidato da sigla. ''É o momento de colocarmos as propostas do partido, torná-las públicas, debater com a sociedade'', complementou. O PRTB deverá ter cerca de 45 segundos no horário eleitoral gratuito no rádio e televisão. (Colaborou Luciana Pombo)

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