Nanicos elaboram planos de governo radicais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de julho de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os planos de governo dos candidatos ao Executivo paranaense ligados a partidos ''nanicos'' - Luiz Felipe Bergmann (PSOL), Avanilson Araújo (PSTU), Amadeu da Luz Ferreira (PCB), Robinson de Paula (PRTB) e Paulo Salamuni (PV) - sugerem mudanças ''radicais'' e fazem críticas a adversários. O PSTU, por exemplo, afirma que as gestões de Roberto Requião e Jaime Lerner favoreceram ''os interesses dos capitalistas e do agronegócio'' e sugere que as alianças capitaneadas pelos dois principais candidatos Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), ''demonstram o jogo de interesses para se manter no poder a qualquer custo''.
Ainda sobre a gestão Requião, hoje aliado do candidato do PDT, o candidato do PSTU escreve que o peemedebista ''não acabou com o pedágio'' e ''tratou com truculência as categorias que saíram a lutar por melhorias''. Sobre o pedágio, o plano de governo do PSTU defende ''romper com os consórcios privados'' e ainda propõe estatizar a malha ferroviária. A sigla também critica a participação do capital privado na Copel e na Sanepar, mas não indica o que poderá ser feito sobre o assunto. O PSTU propõe ainda dobrar o salário mínimo regional e reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais.
O PSol também faz críticas à gestão Requião e defende bandeiras ''radicais'' em seu plano de governo: ''Precisamos de um programa de transição entre o capitalismo e o ecossocialismo, o que significa reconhecer que as tragédias ambientais que enfrentamos (...) são decorrentes das atividades humanas, e mais especificamente, daquelas relacionadas ao desenvolvimento do sistema capitalista''.
A sigla de Luiz Felipe Bergmann critica, por exemplo, a construção de cinco hidrelétricas no Paraná, o que ocasionaria ''a expulsão das famílias de suas terras'', e também afirma que não há hoje uma política pública efetiva para as populações tradicionais (quilombolas e indígenas, por exemplo). Outra crítica registrada no plano de governo é feita em relação aos conselhos estaduais, que seriam utilizados hoje somente para ''dar aparência de legitimidade popular para as políticas do governo do Estado''.
Entre as propostas do PSol estão: plebiscitos e referendos para decidir sobre a realização de ''grandes obras''; promover uma educação não sexista, não homofóbica e não racista; promover a equiparação salarial entre homens e mulheres; legalizar e descriminalizar o aborto; ampliar a política de cotas nas universidades públicas; combater a especulação imobiliária e promover a ocupação dos vazios urbanos; estimular o uso de meios alternativos, como a bicicleta, e impor limites ao uso do carro para deslocamento.
O PCB foi o único que não enviou à Reportagem o plano de governo registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. Procurada, a assessoria de imprensa do PCB informou que o plano de governo levado ao TRE é o mesmo documento elaborado pela legenda nacionalmente, ou seja, não haveria um plano de governo específico para o Paraná.
No documento nacional, o PCB defende um programa ''anticapitalista e anti-imperialista para o Brasil'', com propostas como o fim da autonomia do Banco Central; a isenção de imposto de renda sobre salários; e a reestatização do sistema de geração e distribuição de energia elétrica.


