Nanicos começam guerra eleitoral no Tribunal
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quinta-feira, 16 de julho de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
Impugnação de candidaturas, suspensão de programas de televisão e declarações de bens. Vale tudo nas eleições deste ano, quando os brasileiros vão experimentar pela primeira vez o processo de reeleição. As duas primeiras semanas de campanha eleitoral oficial confirmam a tese dos políticos mais experientes: a Justiça Eleitoral será a grande vedete deste ano, arbitrando a briga entre os 15 candidatos que solicitaram registro para disputar o Palácio do Planalto.
A maior demanda dos últimos dias vem dos candidatos nanicos, políticos ligados a partidos pequenos e sem muitas chances de chegar ao final da disputa. Eles vêm dando ao TSE mais trabalho que os candidatos que lideram as pesquisas de intenção de votos, que têm preferido apelar à imprensa para atingir seus adversários.
A última iniciativa foi do candidato a deputado federal pelo PDT do Rio, Luís Fernando DÁvila, que entrou com ação no TSE na quarta-feira contra o candidato do Prona, Enéas Carneiro. Ele está pedindo a impugnação da candidatura do médico à presidência, com base nas recentes declarações em que Carneiro defende a construção da bomba atômica no Brasil.
No despacho, escrito de próprio punho, ele afirma que isso é crime de lesa humanidade, que contraria todos os tratados assinados pelo Brasil. Para DÁvila, as declarações de Enéas constituem, ainda, grave infração eleitoral, pela divulgação de ato bélico que prega a destruição, a guerra e o genocídio. A ação aguarda a apreciação dos ministros do tribunal.


