Os aliados do governador Jaime Lerner (PFL) estão em crise. As direções estaduais do PSB, PSL, PST e PSC, partidos coligados na disputa majoritária, divulgaram ontem nota de repúdio contra a forma como seus candidatos foram tratados no comício realizado em Campo Mourão, no dia 28 de agosto. José Francisco Pereira, do PST; e Severino Nunes do Araújo, do PSB; acusam o candidato a deputado federal pelo PTB, Rubens Bueno; o integrante do staff de Lerner, deputado federal Paulo Cordeiro (PFL); e o prefeito da cidade Tauilio Tezelli (PSDB), de terem impedido os candidatos Osmar Santana (PSB), Hiroshi Kashiwagi (PSB), João Carlos Klein (PST), e Mauri Viana (PPB) de se pronunciarem.
‘‘Essa ação, praticada por indivíduos da própria coordenação da campanha pró-Jaime Lerner, objetivou, claramente, beneficiar o candidato Rubens Bueno, em flagrante prejuízo eleitoral aos demais candidatos, os quais, com dedicação e esforço, estão ajudando na reeleição do nosso governador’’, diz a nota. ‘‘Será que os votos conseguidos por nossos candidatos em favor de Lerner, valem menos que aqueles eventualmente conseguidos por Rubens Bueno?’’, questionam os dirigentes. Pereira disse à Folha que as direções dos partidos pensaram alguns dias antes de se pronunciarem. ‘‘A baixaria foi muita. O Osmar quis falar e o Rubens o pegou pelos cabelos. Um deles apanhou dos seguranças do comício’’, protestou.
Severino Nunes do Araújo disse que a coordenação vem permitindo discriminações. ‘‘O baixo clero da coordenação da campanha está privilegiando’’, acusou. Para o presidente do PSB, a discriminação não é feita pelo coordenador geral político, Cândido Martins de Oliveira, mas por subalternos. ‘‘Os eleitores conscientes de Campo Mourão e região saberão responder nas urnas votando em nossos candidatos, repudiando a insólita agressão numa demonstração inequívoca de que a truculência e a falta de companheirismo não é privilégio somente de nossos adversários’’, leu o presidente do PSB o trecho final do manifesto.
Rubens Bueno ficou irritado com o manifesto de repúdio. Disse ontem que nem poderia comentar ‘‘atitude sem o mínimo de respaldo’’. ‘‘Quem tem que responder esse tipo de coisa é o Jaime Lerner e o seu comando geral’’, reagiu. O ex-prefeito de Campo Mourão afirmou que existem muitos candidatos na região ‘‘sem o mínimo de votos’’ e ‘‘respaldo popular’’ que tentam tumultuar o processo eleitoral. ‘‘A minha campanha sempre foi transparente. Se alguém foi impedido de falar não foi por minha decisão. Tudo isso não faz sentido’’, assegurou o candidato do PTB. A Folha tentou contato com Paulo Cordeiro, mas não foi possível. O deputado estava numa reunião, conforme informou o comitê de Lerner em Curitiba.
O coordenador geral da campanha pela reeleição, Cândido Martins de Oliveira, fez um apelo para que os aliados não briguem. ‘‘Recebi essa reclamação, mas posso garantir que é um incidente isolado, que não abala a harmonia da campanha eleitoral do nosso grupo’’, declarou. Cândido Oliveira disse que situações similares não devem mais ocorrer, apesar das dificuldades em se controlar o confronto entre os candidatos.

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