Nakamura não consegue convencer conselheiro do TC
Nestor Baptista foi a Foz do Iguaçu confirmar pessoalmente o desperdício do dinheiro público e diz que obras iniciadas servem apenas para maquiar irregularidades
O secretário Estadual do Meio Ambiente do Paraná (Sema), Hitoshi Nakamura, tentou mas não conseguiu convencer o conselheiro e relator do Tribunal de Contas do Estado (TC), Nestor Baptista, sobre o destino correto dos R$ 16 milhões gastos entre 1997 e 1998 na construção do Parque da Barragem em Foz do Iguaçu.
Nestor Baptista, que foi convidado a ir a Foz para ver as obras, afirmou, depois de percorrer os locais, além de confirmar pessoalmente o desperdício do dinheiro público, comprovado pelo TC na impugnação da obra no dia 13 (que obriga o secretário a devolver, em valores atualizados, mais de R$ 22 milhões aos cofres públicos), a visita serviu ainda para mostrar novas irregularidades. Para verificar isso, basta observar o assoreamento do canal, o matagal que se formou em alguns pontos e algumas obras feitas recentemente para maquiar a área, disse.
A visita foi marcada para as 9h30 de ontem e contou com a participação de técnicos da Secretaria do Meio Ambiente e inspetores do Tribunal de Contas. Durante duas horas, Nakamura e o engenheiro da secretaria, Eduardo Quezada, explicaram detalhes sobre as mudanças que teriam dobrado os custos iniciais do projeto.
Entre as mudanças defendidas pela engenharia da secretaria estariam a alteração do trajeto do canal, que faz a ligação do Lago de Itaipu ao leito natural do Rio Paraná. Segundo eles, a decisão foi tomada para que as modificações viessem a proteger uma reserva florestal da Itaipu Binacional (onde está o chamado marco zero da usina), além de problemas com infiltração e utilização de material especial para revestimentos.
Estas modificações foram feitas pensando inclusive na segurança que o parque deve oferecer aos usuários, destacou o secretário. Nakamura também aproveitou para acrescentar que a Construtora Itajuí Ltda., jamais havia recebido dinheiro adiantado pela empreita das obras contratadas em Foz do Iguaçu. A assessoria da Sema informou que o primeiro pagamento à empresa foi feito 40 dias depois de iniciado o trabalho no local.
Mesmo apresentando ao TC obras em andamento, informação confirmada pelo comando do 10º Batalhão de Engenharia e Construção sediado em Lages (SC), que é o atual responsável pela finalização do projeto, Nakamura não conseguiu explicar claramente o porquê da necessidade de pelo menos outros R$ 8 milhões para terminar o projeto e também qual o motivo que teria atrasado a entrega do Parque, prevista para os Jogos da Natureza em setembro de 1997 idealizados e promovidos pelo governo do Estado quando o canal seria usado para provas de canoagem, não realizadas na promoção.
Quando teremos a inauguração?, perguntou Baptista.
Quando o orçamento liberar mais verba, respondeu Nakamura.
Espero que me convide para a festa de abertura, comentou o conselheiro.
Convidarei o senhor para pescar também, finalizou ironicamente o secretário antes de se despedirem.





