O secretário Estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, desembarca hoje em Foz do Iguaçu para realizar uma visita técnica ao Parque da Barragem, na tentativa de comprovar ao Tribunal de Contas do Paraná (TC) que todo o dinheiro público gasto na época, cerca de R$ 16 milhões, foi aplicado integralmente na obra e que a mesma estaria 70% concluída. O secretário chega a Foz do Iguaçu um dia depois de o comando do 10º Batalhão de Engenharia e Construção de Lages (SC) ter confirmado o repasse de quase R$ 6 milhões, valor próximo ao total divulgado anteontem pela secretaria. O conselheiro do Tribunal de Contas Nestor Baptista acompanha o secretário. Ele embarcou ontem à noite para Foz do Iguaçu.
A entrega do Parque da Barragem estava prevista para setembro de 1997, época em que sediaria as competições de canoagem dos Jogos Mundiais da Natureza. A corporação catarinense foi contratada em junho de 1998 para terminar o canal (que liga o Lago de Itaipu ao Rio Paraná) depois de oito meses de obras paradas (estava sob os cuidados da Construtora Itajuí Ltda).
Por telefone, o chefe da Seção Técnica do Batalhão, capitão Sérgio Marconi da Silva, confirmou que desde o início do contrato, foram recebidos R$ 5,8 milhões. ‘‘Esse dinheiro, porém, não veio com a frequência que deveria vir, motivo que provocou outra paralisação em dezembro de 98. Somente no final do ano passado, nós voltamos a trabalhar no local’’, explicou Silva. A visita de Nakamura ao canteiro de obras do Parque da Barragem está prevista para as 9h30.
O conselheiro do Tribunal de Contas Nestor Baptista resolveu aceitar o convite do secretário de Estado do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura. ‘‘Vamos verificar o andamento da obra. Mas continuo firme com o voto dos conselheiros do TC: questionamos os custos da obra, onde foi parar o dinheiro pago a construtora Itajuí e ao Exército e por que até hoje ela não está concluída’’, argumentou o conselheiro. Baptista visitará o Parque da Barragem acompanhado dos mesmos auditores, engenheiros e advogados do TC que, em 1998, acabaram comprovando a existência de 25 irregularidades na obra.
O Tribunal de Contas determinou ontem diligências na prestação de contas da prefeitura de Curitiba durante o exercício de 1997, o primeiro ano de mandato do prefeito, Cássio Taniguchi (PFL). A medida, proposta pelo conselheiro Nestor Baptista, atinge também a Câmara de Vereadores, que deverá apresentar relatório de gastos – durante o mesmo período – com propaganda, administração e funcionários, e também fornecer informações sobre concursos públicos para contratação de pessoal.
A prestação de contas do exercício de 1997 ainda não foi analisada pelo plenário do tribunal. Agora o TC está exigindo inúmeras explicações e informações da prefeitura de Curitiba: sobre a dívida ativa na época, com o envio dos nomes dos 100 maiores devedores; o pagamento de precatórios para pessoas físicas e jurídicas; os processos licitatórios da administração direta e indireta, das obras completadas e iniciadas no período, e a concorrência pública para a contratação de agências de publicidade (com envio de cópias do material divulgado nos meios de comunicação).

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