BRASÍLIA - O dono do banco Vetor, Fábio Barreto Nahoum, envolveu ontem o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, nas negociações para emissão de letras financeiras em Pernambuco. Em seu depoimento à CPI dos Títulos Públicos, Nahoum afirmou que a proposta do Vetor ao governo de Pernambuco foi submetida em 1995 à apreciação do então secretário de Finanças da prefeitura de São Paulo, Celso Pitta, por iniciativa de Eduardo Campos e Pedro Eugênio, à época secretários de governo e de Fazenda de Pernambuco.
‘‘O Pedro Eugênio e o Eduardo Campos tiveram uma reunião com o Celso Pitta em São Paulo para confirmar a novidade que nós deixamos naquele Estado’’, relatou Nahoum. A ‘‘novidade’’ mencionada por Nahoum era a sugestão, feita segundo ele pelo próprio Vetor, para que Pernambuco lançasse títulos destinados ao pagamento de precatórios (dívidas judiciais).
O relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), destacou que a versão de Nahoum divergia da apresentada por Eduardo Campos na CPI. ‘‘O secretário de Pernambuco disse aqui que o governador Miguel Arraes havia ligado para Paulo Maluf (então prefeito de São Paulo) e acertado a ida de assessores do Estado a São Paulo’’. Nahoum então mencionou mais uma vez a reunião dos secretários e repetiu o nome de Celso Pitta como participante.
Segundo Fábio Nahoum, o ex-coordenador da dívida pública do município de São Paulo, Wagner Ramos, não compareceu a esse encontro. Nahoum afirmou que seu banco, hoje liquidado pelo Banco Central, conseguiu ‘‘marcar um almoço’’ com Ramos por meio do ex-assessor da Secretaria de Finanças da prefeitura paulistana, Pedro Neiva, a quem conhecia desde 1971.
Depois de ter apresentado Ramos à diretoria do Vetor, Neiva pediu, ainda segundo Nahoum, que o banco desse um emprego para sua filha, estudante de Economia. ‘‘Ela ficou conosco por uns seis ou oito meses até se casar e ir para Exterior’’, contou. Nahoum disse que foi seu banco - e não Wagner Ramos, como suspeita a CPI - que tomou a iniciativa de propor negócio ao governo de Pernambuco.
‘‘O Ronaldo Ganon (sócio de Nahoum) disse que iria procurar o Wagner porque ele havia feito com sucesso uma operação para Alagoas e era o único que detinha conhecimento pleno sobre precatórios’’, justificou. Nahoum disse que Wagner Ramos obrigou o Vetor a contratá-lo por meio da Perfil, ‘‘corretora que desconhecíamos’’. Nahoum também envolveu Ramos no lançamento de títulos de Santa Catarina.

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