'Nada justifica o reajuste', dizem motoristas
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domingo, 02 de dezembro de 2007
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
O reajuste da tarifa de pedágio em algumas concessionárias do Estado que está ocorrendo neste final de semana causou indignação nos usuários. Ontem, motoristas que passavam pela praça de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), administrada pela Econorte, que desde a zero hora de hoje passaram a pagar R$ 10,50 (veículos de passeio), afirmaram que ''nada justifica os aumentos''. A concessionária, que possui três praças de pedágio no Norte Pioneiro, obteve sexta-feira a liminar na Justiça para poder aplicar o reajuste. Por enquanto, além da Econorte, a Caminhos do Paraná e a Rodovia das Cataratasou conseguiram decisões judiciais favoráveis para reajustar o pedágio. Com isso, em 13 das 27 praças o preço aumenta. Os reajustes variam de 4,13% a 11,49% e estão previstos nos contratos firmados entre governo e concessionárias.
O reajuste da Econorte está sendo em média de 11,4%, o maior entre as seis empresas que atuam no Estado.
Para o médico Augusto Fujimura, de Santa Cecília do Pavão, que passa pelo pedágio pelo menos duas vezes por semana, o acréscimo na tarifa é abusivo. ''As estradas até melhoraram com o pedágio, mas a cobrança - e os reajustes - é absurda. Teria que ser uma tarifa condizente com a realidade da economia'', disse.
A jornalista Maria Lívia Malzoni, que mora em Sorocaba (SP) - e viaja com frequência a Londrina para visitar parentes - frisou que a tarifa não só de Jatazinho mas de outras praças do Estado são absurdas. ''No estado de São Paulo as tarifas são bem menores e as estradas melhores. Não tem o que explique esse reajuste.''
Para o motorista Junior Aparecido Pedro, que trabalha para uma transportadora, o reajuste vai refletir diretamente no custo do frete. Cada vez que passa pelo pedágio, cerca de seis vezes por semana, o motorista arca com uma despesa de R$ 30,80. Com o reajuste, o custo vai passar a ser de R$ 34, segundo ele. ''Não dá para entender um reajuste desses, sendo que essas rodovias nem têm tanta estrutura. Às vezes, quebra o caminhão e não tem nem acostamento.''
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina, Carlos Roberto Della Rosa, afirmou que a entidade está estudando a possibilidade de engressar com uma ação na justiça contra o reajuste.
Para o diretor executivo da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado (Fetranspar), Sérgio Maluceli, o reajuste nunca é bem-vindo, no entanto é uma oportunidade do poder público tentar conversar com as concessionárias dos pedágios e negociar um reajuste razoável. ''É preciso diálogo'', reforçou. Segundo ele, o reajuste provocará um aumento no custo operacional das empresas, cujo repasse será aplicado no frete. ''O consumidor final poderá arcar com essas despesas.''
A assessoria de comunicação da Econorte informou que a empresa só deverá se pronunciar sobre o reajuste no início desta semana.
Ecovia e Viapar, ainda aguardam decisões judiciais, quem devem sair no início desta semana, para aplicar o reajuste.


