''Nada a declarar'', afirma mulher de Lalau na Polícia
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2000
Elizabeth Lopes Agência Estado De São Paulo 
Se depender da família do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, a Polícia Federal (PF) não deverá obter nenhuma pista sobre o esquema de proteção que ele teve durante os quase oito meses em que ficou foragido. A mulher dele, Maria da Glória Bairão dos Santos, de 65 anos, foi a primeira testemunha a depor, ontem, no inquérito que apura essa rede de proteção. Nos cerca de 15 minutos de interrogatório, realizado pelo delegado José Pinto de Luna, que preside o inquérito, Maria da Glória respondeu nada a declarar a todas as perguntas que lhe foram formuladas.
O advogado encarregado de acompanhar a família do juiz aposentado no inquérito, Celso Vilardi, afirmou que os membros da família do magistrado contam com a prerrogativa do Artigo 206 do Código Penal de não prestar nenhuma declaração. Ela (Maria da Glória) foi ouvida como testemunha, já que não há indiciamento nesse tipo de inquérito. Se as filhas forem convocadas, também deverão seguir a mesma linha de defesa, que é a não prestar nenhuma declaração, destacou.
Apesar de o advogado de defesa afirmar que a família do juiz aposentado está isenta de punição e que não deverá dar nenhuma declaração à Polícia neste inquérito, o porta-voz da PF de São Paulo, Gilberto Tadeu, afirmou ontem que as três filhas de Lalau serão convocadas a depor a partir do dia 8.
Vilardi destacou, após o interrogatório de ontem, que Luna fez à cliente cerca de oito perguntas inerentes à fuga de Nicolau. O delegado perguntou sobre a cidade ou o País em que eles estiveram e quem ajudou na fuga. A todos os questionamentos, ela (Maria da Glória) usou a prerrogativa do Código Penal e não declarou nada, disse.


