Ariangelo Hauer Dias, pró-reitor de administração da UEPG, aponta algumas possíveis explicações para a universidade ter aparecido como a estadual com maior queda de investimentos entre 2012 e 2013 (-22,33%). A primeira seria a redução de receitas próprias da instituição, de cerca de R$ 1 milhão, na fazenda escola, em serviços que deixaram de ser prestados em razão do fim de convênios.
Ele também aponta que os repasses do governo federal para investimentos interferem nos números ano a ano. "Quando um projeto é aprovado, ele talvez só seja concretizado nos anos seguintes. Em 2012, tivemos uma verba da União para a implantação do polo da Universidade Aberta do Brasil. Com o polo já instalado, em 2013 não houve esse investimento", explica. Entre os investimentos com recursos federais previstos para 2014, o pró-reitor cita a reforma do centro de eventos da UEPG e a ampliação de laboratórios.
Quanto ao aumento das despesas com pessoal, Dias aponta reajustes salariais de funcionários e o impacto causado pelo aumento do número de professores com mestrado e doutorado.
Antonio Carlos Aleixo, reitor da Unespar, outra instituição que teve redução de investimentos no ano passado (-16%), aponta que em 2013 houve retenção de parte do orçamento por parte da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), ligada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Além disso, segundo o reitor, 2012 teria sido um ano um pouco acima da média em dispêndios na área, visto que foram realizados pagamentos represados de anos anteriores.
"Um ponto é que as outras universidades têm uma capacidade de recursos próprios muito maior que a nossa. Vestibulares da UEL, UEM e UEPG têm cursos com procura de 40, 50 candidatos por vaga, enquanto na Unespar o máximo a que chegamos é nove, 10 por vaga", diz Aleixo. O reitor aponta que há uma grande necessidade de mais investimentos na Unespar – no ano passado, os gastos na área não chegaram a R$ 1 milhão.
"Se for fazer tudo que a universidade precisa, necessitaríamos, por exemplo, de R$ 20 milhões para o campus de Campo Mourão, R$ 20 milhões para a Escola de Música e Belas Artes (Embap, em Curitiba)... Mas o Estado não tem esse dinheiro. As outras universidades estaduais se desenvolveram nos anos 1980 e 90, enquanto as nossas faculdades (que depois formariam a Unespar) ‘ficaram’. Nós teríamos que recuperar isso agora. Mas estamos cientes de que não é possível fazer em pouco tempo", explica Aleixo. (F.G.)

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