Na TV, políticos tentam se vincular a Campos
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Na primeira veiculação do horário eleitoral gratuito da campanha presidencial deste ano, PT e PSDB tentam capitalizar politicamente com proximidades a Eduardo Campos (PSB), presidenciável morto em uma tragédia aérea há uma semana, enquanto sua legenda apostou em homenagem e pouco focou em sua sucessora natural, Marina Silva (PSB). No embate entre tucanos e petistas, a crise econômica foi usada tanto para atacar quanto para defender o atual governo.
Os programas dos candidatos à Presidência da República e à Câmara Federal serão exibidos em dias alternados aos dos políticos estaduais candidatos a governador, deputados estaduais e senadores vão ao ar hoje pela primeira vez.
Definida por sorteio, a ordem das inserções começou ontem com a propaganda do PSB, que optou por homenagear Campos, sob o som de "Anunciação", do músico pernambucano Alceu Valença.
Já no início de seu programa, Aécio Neves (PSDB) fez questão de ressaltar a proximidade com Campos, a quem diz ter conhecido na campanha das Diretas Já. "Eu com meu avô, Tancredo Neves, e ele com o avô Miguel Arraes", recordou.
Ao falar do Brasil, o tucano admitiu que a situação está melhor que "há várias décadas", mas atribuiu a diversos governos. Também disse que o país piorou em relação há quatro anos, pontuando, sem citar nomes, a diferença entre os governos petistas de Lula e Dilma. Justificou sua afirmação dizendo que problemas antes superados, como a inflação, estão voltando e atribui a crise à má gestão da adversária.
O programa de Dilma Rousseff (PT) foi ancorado no principal cabo eleitoral do partido, o ex-presidente Lula. A petista tentou colar seu governo com o de seu antecessor e usou a crise internacional para mostrar o jogo de cintura na área econômica: afirmou que, ao invés de aumentar juros e elevar demissões, manteve empregos baixando impostos, o que fomentou o consumo interno. No fim, coube a Lula ligar o partido a Campos. "Nós dois tínhamos afeto de pai e filho", disse, com olhos marejados.
Entre outras legendas, Eymael (PSDC) também tentou colar sua imagem à de Campos e o PV fez homenagem, concluindo que "tem os mesmos princípios" do ex-candidato.
No Paraná
A segunda metade do horário eleitoral gratuito de ontem, destinada aos candidatos a deputado federal, deu mostras do tom que deve ter a campanha eleitoral no Paraná. O PT de Gleisi Hoffmann, terceira colocada ao governo do Estado segundo a última pesquisa Datafolha, partiu para o ataque em inserções que tratavam de falhas na saúde, na segurança pública e nas contas públicas da gestão Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição. As inserções foram ao ar entre uma fala e outra de candidato a deputado federal, culminando com as críticas de Enio Verri, presidente do PT estadual e candidato a uma vaga na Câmara Federal.
O PSB paranaense também fez homenagem a Eduardo Campos por meio do presidente estadual da legenda, Severino Araújo.


