O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar ontem a discussão isolada do impacto da globalização sobre o crescimento econômico e nas soluções para os problemas sociais. Ao dar posse ao novo ministro das Relações Exteriores, ele disse que o debate sofre o que chamou de simplificações, como a oposição entre o Fórum Econômico Mundial, promovido na cidade de Davos (Suíça), e sua antítese brasileira, o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre. ‘‘O econômico sem o social é desumano, e o social sem o econômico é mera veleidade, voluntarismo inócuo’’, disse.
FHC citou Karl Marx ao defender uma avaliação realista dos instrumentos oferecidos pela globalização das economias para garantir maior justiça e equilíbrio social, aumentar a distribuição de renda e ampliar a geração de empregos. ‘‘É preciso construir uma globalização que não seja assimétrica, mas solidária.’’
Fernando Henrique deu boas-vindas a Lafer, que retorna à Esplanada dos Ministérios depois de um período na pasta do Desenvolvimento, destacando a amizade pessoal e o longo passado compartilhado por ambos. ‘‘Tenho por ele a maior admiração, pelo seu talento intelectual, pela sua sensibilidade de homem público’’, afirmou o presidente.
Em seu discurso, FHC reiterou os principais objetivos e diretrizes da política externa do governo brasileiro. Retomou seus ataques ao protecionismo praticado pelos países ricos e voltou a garantir seu empenho para a efetiva consolidação do Mercosul e para o estreitamento das relações entre Brasil e Argentina. (A.E.) (Leia mais sobre os dois fóruns na página 6 e em Folha Economia)

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