Brasília - Após empossar o ministro Aldo Rebelo no Ministério do Esporte, em substituição ao ministro Orlando Silva, que deixou a pasta acusado de envolvimento em irregularidades em convênios com ONGs, a presidente Dilma Rousseff reconheceu, em seu discurso que ''esta cerimônia não estava nos meus planos e nem nos planos do governo'' e fez questão de defender o ministro que estava saindo.
''Orlando Silva não perde meu respeito'', declarou a presidente no discurso, ao lembrar que ele fez um ''excepcional trabalho na liderança do Ministério do Esporte'', do qual ela foi testemunha. ''Ele ganha plena liberdade para restituir a verdade e preservar, assim, a sua biografia'', acentuou Dilma, ao comentar que ele saiu para se defender e desejando-lhe ''muito sucesso em sua cruzada pela verdade''.
Em seguida, Dilma fez elogios ao PCdoB. ''Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental'', declarou Dilma, que passou a falar da bem-sucedida trajetória política de Aldo Rebelo, a quem, erroneamente, chamou de Aldo Rabelo. ''Experiente, sério, qualificado, líder reconhecido e sem sombra de dúvida reconhecido como defensor corajoso de opiniões fortes dos interesses nacionais, e cidadão respeitado por seus pares, independente do partido'', enumerou Dilma.
''Estou certa que como novo ministro do Esporte, saberá empreender, realizar e, quando for o caso, negociar busca de soluções em que todos ganhem, principalmente e especialmente o Brasil e o povo brasileiro'', comentou a presidente, reiterando, subliminarmente, o recado que já havia dado à Fifa de que as leis brasileiras, como a meia-entrada para idosos, terão de ser respeitadas na Copa do Mundo de 2014.
Segundo a presidente, Aldo Rebelo ''tem plenas condições de dar continuidade política do ministério e estabelecer desde logo relações claras com todos os entes envolvidos com a preparação da Copa e Jogos Olímpicos'', ''sem que a ninguém seja imposto abdicar de princípios e de direitos legais e vigor no País''.
A plateia era eclética e reunia desde Pelé, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, governadores como Eduardo Campos, de Pernambuco, e Teotônio Vilela, de Alagoas, do PSDB, mas que é do Estado de Aldo Rebelo.
O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que também fez discurso durante a cerimônia de posse, foi aplaudido de pé. ''Eu fico feliz de olhar para minha mãe, para minha esposa, minha filha e à senhora, presidente, e dizer: eu sou inocente''. ''Os dias vão passar, evidências vão surgir e a verdade vai prevalecer'', afirmou.

mockup