Na política, é longo o caminho da conquista feminina
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quarta-feira, 07 de março de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em Brasília, são 30 deputados federais representando o Paraná - todos, homens. Em Curitiba, são apenas quatro mulheres no quadro de 54 deputados estaduais, ao passo que, de 399 Executivos municipais, só 25 são chefiados por elas. No Senado não é diferente: são 10 senadoras de todo o País no plenário de 81 nomes - situação que, apesar de adversa, ainda está além de uma Presidência da República nunca presidida por uma representante, eleita ou não. Se o Dia Internacional da Mulher hoje é data de comemoração, na política brasileira é uma ocasião adequada para observar o quão longo ainda é o caminho pela chamada igualdade entre os sexos.
No Paraná (veja quadro), além da baixa representatividade na Assembléia Legislativa, as mandatárias de cargos públicos eletivos também têm baixo percentual de participação nas câmaras municipais. Pelos números aproximados da União dos Vereadores do estado (Uvepar), são cerca de 450 vereadoras no universo de 3.692 edis - pouco mais de 12% do total.
Para a professora de Sociologia e Política da Uninorte, Francisca Vergínio Soares, a conquista do espaço feminino em um meio tradicionalmente ocupado pelos homens não acompanhou, em absoluto, a velocidade com que elas avançaram rumo a postos de destaque no mercado de trabalho.
Na avaliação da socióloga, nem mesmo exigências legais como a cota de 30% de mulheres por partido, na disputa eleitoral, quebrou barreiras que possibilitassem o incremento da participação. ''Além de muitos partidos sequer respeitarem esse índice, ainda há muito preconceito e discriminação em relação às mulheres em várias atividades - na política, isso é ainda maior'', disse. A estudiosa destacou que conquistas como o direito ao voto, da década de 1930, ainda não foram suficientes para que o meio se tornasse ''menos patriarcal''.
''Elas aos poucos estão conquistando seu espaço, mas em ritmo muito diferente do que ocorre no mercado de trabalho. Até temos uma ministra chefe no Judiciário (Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal), mas considerando que somos maioria, contraditoriamente nas assembléias e no Congresso ainda há muita discrepância'', observou.
Por que a participação ainda é tão baixa? ''Há machismo dentro do cenário político , tanto que muitos projetos de cunho social, das mulheres, não são aprovados. Mas já vi muita gente - mulheres, incluisive - dizer que não confia na política mulher'', comentou.
Segundo a professora, a mudança do processo educacional e a atuação em associações e partidos, por exemplo, são um bom começo. ''Sou otimista pelas mudanças. Em Londrina, para se ter uma idéia, a quantidade de ongs e associações mostra o quanto o cenário vem mudando, e pode mudar - mas a conquista é uma verdadeira luta de classes, não adianta esperar por uma dádiva do Estado'', recomenda.


