Baiano de certidão de nascimento e paranaense de destino, como ele diz, Hélio Duque (PSDB) aposta que, desta vez, leva. Depois da derrota para o Senado, em 1994, Hélio Duque, 55 anos, agora faz campanha para deputado federal. ‘‘Sem nenhuma falsa modéstia, estou saindo candidato para me eleger. Vou pingar votos em todo o Estado’’, diz Hélio Duque, que já está percorrendo os municípios do Paraná com o slogan ‘‘Um voto de opinião’’.
‘‘Sou candidato porque aposto na mudança. Aristóteles e Platão já diziam que as mudanças têm de ser feitas ou pela política ou pela violência. E nós vimos que a ditadura de 22 anos que assolou o Brasil não é o caminho’’, disse ele, que foi deputado por três mandatos (1978 a 1990) e viveu o período ditatorial como político de oposição - ele era do MDB e depois do PMDB. Hoje é governista.
Mas não é só a vontade de mudar que fez Hélio Duque voltar-se à nova caminhada política. ‘‘O ânimo dos companheiros também conta. Em política a gente entra pelas mãos dos amigos e não sai pelas mãos dos amigos. Incluo também o estímulo dos inimigos’’, ironiza.
Refeito do que chamou de ‘‘campanha traumática’’ em 94, quando obteve 500 mil votos, mas perdeu para Roberto Requião (PMDB), Hélio Duque usa suas andanças pelo Estado para fazer o que ele parece gostar mais: falar.
Ele sempre foi um hábil orador e reuniu, em livro, 32 pronunciamentos feitos na Câmara durante os 12 anos de mandato como deputado (de 1978 a 1990). O resultado é uma publicação de 500 páginas - ‘‘O exercício da coerência’’ - que será lançada nos próximos dias. Será seu quinto livro.
Mas não é só do passado que Hélio Duque faz questão de recordar. Nesta campanha, seu alvo é o presente e o futuro. ‘‘Quero refazer algumas coisas, mas fazer muitas outras. Não adianta só dizer que existe o desemprego, como tantos dizem e sim buscar soluções’’, discursa. O tucano é economista e diz que suas prioridades são o estabelecimento de uma política agrícola séria para o País, que deverá resultar em crescimento, além de investimentos na construção civil.
Hélio Duque dispara números atrás de números. ‘‘Eu apóio Fernando Henrique em muitos aspectos, mas tenho postura crítica para dizer que não aceito que o País cresça só 2% ao ano, quando podemos chegar de 5% a 7%’’, explica. Com esse aumento, segundo os cálculos dele, seria possível garantir a geração de 1 milhão até 1,2 milhão de empregos por ano.
Na agricultura, o tucano aponta que em 1994 o Brasil produziu 75 milhões de toneladas de grãos, enquanto a Argentina atingiu 40 milhões. Quatro anos depois, a produção brasileira foi de 80 milhões de toneladas e os argentinos conseguiram 63 milhões. ‘‘O Brasil só cresceu 5%, enquanto a Argentina evoluiu 53%’’, compara, apostando que, uma política séria para o setor poderia resultar na produção de 140 a 160 milhões de toneladas de grãos para consumo interno e externo.
A construção civil, outro setor da análise de Duque, já chegou a ser responsável, segundo ele, por 22% dos empregos gerados nas cidades brasileiras e hoje responde por apenas 12%. ‘‘E tudo isso enquanto o déficit de habitação no Brasil ultrapassa 10 milhões de unidades’’, garante.
Para ‘‘vender’’ a idéia do ‘‘voto de opinião’’, Hélio Duque vai lembrar de algumas conquistas como deputado, como a instituição do ‘‘habeas data’’, que prevê que o acesso da comunidade a todo tipo de informação do órgãos do governo, além do artigo de sua autoria que fixou o monopólio estatal do petróleo no Brasil. ‘‘Tive 18 emendas acolhidas na Constituição de 88’’, recorda. Além de mudanças na agricultura e na geração de empregos, ele propõe a reforma política.
‘‘Se a reforma tivesse sido feita, teríamos o voto distrital misto, a fidelidade partidiária, a transparência de fonte de financiamento e tudo isso eliminaria a venda de mandato. No instante em que a reforma for colocada em prática, a influência do poder econômico será sensivelmente reduzida’’, acredita. Duque estima gastar R$ 250 mil na campanha. ‘‘Enquanto vemos candidatos que vão torrar 2 ou 3 milhões de dólares. Gente assim quer fazer investimento e não representar o povo. E quem faz investimento quer retorno’’, provoca. (P.Z)

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