Na onda Bolsonaro, nanicos conquistam governos estaduais
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segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Guilherme Marconi Reportagem Local 

A reboque da popularidade do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), partidos de menor expressão elegeram governadores em seis Estados, incluindo dois dos maiores colégios eleitorais do País: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os tucanos João Dória, em São Paulo, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, venceram também ancorados em discursos em apoio ao capitão da reserva.
O PSL de Bolsonaro venceu em três Estados: Santa Catarina (Comandante Moisés, de virada), Rondônia (Coronel Marcos Rocha, também de virada) e Roraima (Antonio Denarium).
O PSC (Partido Social Cristão) elegeu dois governadores. No Rio de Janeiro, embora não tenha recebido o apoio direto do presidente eleito, Wilson Witzel colou sua imagem à do militar e foi eleito governador. O partido venceu também no Amazonas, com Wilson Lima. Romeu Zema foi eleito governador de Minas Gerais e deu ao recém-criado partido Novo seu primeiro governo também ancorado no discurso bolsonarista.
Embora o PSDB tenha saído enfraquecido em relação às últimas eleições (quando venceu em cinco Estados), os tucanos conquistaram o importante governo de SP com Doria, além de Mato Grosso do Sul (Reinaldo Azambuja) e Rio Grande do Sul com Leite.
SUDESTE
O ex-prefeito de São Paulo, João Doria foi eleito neste domingo conquistando a sétima vitória seguida do PSDB nas eleições para o Palácio Bandeirantes. O tucano obteve 51,75% dos votos e derrotou o atual governador Marcio França (PSB). O tom da disputa no segundo turno foi de agressões entre as campanhas. Desde 2006 a disputa em São Paulo era liquidada no primeiro turno.
Em discurso aos seguidores nas redes sociais, Doria afirmou que governará para todos, assim como o presidente Jair Bolsonaro que foi apoiado por ele. "Quem ama o Brasil votou certo. E quem não ama muito, não tem problema, nós vamos governar para eles também", disse.
No primeiro pronunciamento depois de eleito governador do Rio, Wilson Witzel disse que vai trabalhar para rever junto ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) o regime de recuperação fiscal a que o Estado está submetido desde o ano passado, na esteira da crise financeira dos últimos anos. Quanto à intervenção federal na segurança, que termina em 31 de dezembro, ele afirmou que não irá pedir sua extensão ao governo federal, mas vai "buscar novas formas de cooperação para o setor."
SUL
O ex-prefeito de Pelotas Eduardo Leite (PSDB) é o novo governador do Rio Grande do Sul. O tucano venceu com 53,40% dos votos válidos, bateu o candidato à reeleição, José Ivo Sartori (MDB), com 46,60%, nas eleições 2018. Aos 33 anos, Leite se torna o governador gaúcho mais jovem desde a redemocratização e o partido volta à frente do Estado após oito anos. Yeda Crusius governou entre 2007 e 2010 pelo PSDB. O Estado manteve a tradição e nunca reelegeu um governador desde 1994.
Em Santa Catarina, o comandante Moisés (PSL), 51 anos comemorou a vitória em frente a sede do TRE, no centro de Florianópolis. "Depois de 30 anos de serviço público me encorajei a entrar para política porque assim como muitos brasileiros estava indignado com a corrupção, com a velha política. E agora gostaria de falar para os catarinenses que tenho consciência da minha responsabilidade", disse em coletiva à imprensa.
Correligionário de Bolsonaro, Moisés foi eleito com 71,09% no Estado onde o capitão da reserva obteve o maior percentual: 75,92% dos votos válidos. "Fizemos uma campanha simples, sem fundo partidário, com sete segundos de TV no primeiro turno, nenhum instituto de pesquisa previu que iríamos para o segundo turno e agora vencemos com expressivo apoio dos catarinenses. Sou o governador mais votado na história de Santa Catarina porque represento a renovação" disse.
DISTRITO FEDERAL
Ibaneis Rocha (MDB), 47 anos, foi eleito governador do Distrito Federal neste segundo turno com 69,81% e venceu o atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB) que obteve 30,19% dos votos. Novato na política, Ibaneis foi o candidato recordista no autofinanciamento no País. O advogado investiu R$ 3,47 milhões na própria campanha. Ibaines saltou de 2% das intenções de votos, no início da campanha em agosto, para liderar a preferência com folga. Ele desbancou, no primeiro turno, adversários conhecidos do eleitorado do DF. Logo após a confirmação da vitória, Ibaneis telefonou para o presidente Michel Temer (MDB), que o parabenizou pela "expressiva vitória no DF".
NORDESTE
A única mulher eleita governadora no País foi a senadora petista Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, com 57,42%. Ela venceu o candidato do PDT, Carlos Eduardo. O PT venceu o único segundo turno que disputava e não terá governo fora do Nordeste a partir de 2019. Os petistas governarão o Ceará (Camilo Santana), Piauí (Wellington Dias) e Bahia (Rui Costa).
O PSB perdeu todos as disputas em segundo turno (SP, DF, SE e AP). No começo do mês, já havia conquistado os governos de Pernambuco, Paraíba e Espírito Santo. (Com Folhapress e Agência Estado)


