Na mira do Ficha Limpa, tucano abandona campanha
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segunda-feira, 02 de agosto de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Alvo da Lei da Ficha Limpa, o deputado estadual Luiz Fernandes da Silva (PSDB), o Litro, desistiu da reeleição. Seu pedido de renúncia foi aceito ontem pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado. Litro integrava a lista de 11 candidatos que tiveram seus registros contestados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Outros 11 nomes também tiveram seus registros questionados por cidadãos comuns, mas, até agora, nenhum caso, entre os 22, foi julgado pelo TRE. Um outro candidato, Erivan Passos da Silva (PRTB), teve seu registro impugnado pelo TRE, com base na Lei da Ficha Limpa, mas ele não fazia parte da lista de 22 nomes.
Em entrevista à FOLHA, Litro admite que o fato de ser alvo da Lei da Ficha Limpa teve influência na sua desistência, mas reforça que não foi o único motivo. ''Eu tenho certeza que conseguiria uma liminar (para disputar a eleição), mas eu não quis. Minha esposa (Rose Litro) já vai concorrer nas eleições'', conta ele. Candidata a deputada estadual, ela disputa pela primeira vez um mandato eletivo. A principal base eleitoral do casal é o município de Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão).
O MPE informou que pediu a impugnação de Litro por conta de uma condenação sofrida por ele no final de 2002, por ato doloso de improbidade administrativa. A decisão é colegiada, da Quinta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná. Litro afirma que foi condenado por ter recebido pagamentos relativos à sua participação em sessões extraordinárias na Câmara de Dois Vizinhos, quando ele cumpria mandato de vereador, entre 1993 e 1996. ''Mas eu devolvi o dinheiro corrigido, não foi ato doloso. Fui o único que fiz isso entre os 13 vereadores'', argumenta.
Pela Lei da Ficha Limpa, o candidato se torna inelegível quando condenado, em decisão colegiada, por ato doloso de improbidade administrativa. Litro é o segundo parlamentar que integra a lista do MPE e que não vai mais disputar a eleição. O deputado federal Alceni Guerra (DEM), que renunciou à sua candidatura, também era alvo da Lei da Ficha Limpa. Já o deputado estadual Jocelito Canto (PTB) nem chegou a se inscrever nas eleições, alegando que o motivo era justamente a aprovação da Lei da Ficha Limpa pelo Congresso Nacional. Ele teria três condenações por colegiado.


