Em uma sessão marcada por confusões devido ao atropelo do Executivo para aprovar projetos de última hora, a Câmara Municipal de Londrina minimizou a investigação de suspeita de cobrança de propina no Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para acelerar processos de doação de áreas públicas a empresários e aprovou, em primeira discussão, nove projetos do gênero em extraordinária realizada na tarde de ontem.
Uma segunda extraordinária foi transferida da manhã de hoje para a tarde de amanhã, em horário ainda a ser definido pela presidência.
A pauta do Legislativo teve seis projetos de lei em segunda discussão e 17 em primeira discussão, além do parecer contrário à doação de uma área no valor de R$ 3,5 milhões na zona sul para a X5 Tecnologia. Entre os textos em primeira discussão, nove se destinavam a empresários. Pregando prudência, Lenir de Assis (PT) e Emanoel Gomes (PRB) votaram contra.
Os textos tiveram a tramitação suspensa depois de escancarada a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre a suspeita da cobrança de propina na Codel. Na quinta-feira da semana passada, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) foi à Câmara com o presidente do instituto, Bruno Veronesi, e com mais de 20 empresários para fazer "lobby", mas não permitiu a retomada do andamento, o que só foi feito na segunda-feira, no pedido de extraordinárias.
No plenário, os vereadores defenderam que não poderiam penalizar empresários de Londrina devido a apenas um que poderia ter agido de forma incorreta. Além disso, afirmaram que não poderiam se opor ao desenvolvimento do município, impedindo investimentos na cidade.
Tanto Lenir quanto Emanoel Gomes justificaram seus votos com a necessidade de aguardar o fim das investigações do Gaeco, de forma a afastar qualquer possibilidade de envolvimento de outras empresas no esquema. Ambos sugeriram aguardar até o fim do recesso, em fevereiro de 2014. Entretanto, acompanharam o voto da maioria ao aprovar a cessão de uma área de mil metros quadrados para a Universidade Tecnológica Federal do Paraná no Parque Tecnológico de Londrina.

A toque de caixa
A pressa na votação dos projetos do Executivo em sessões extraordinárias convocadas na segunda-feira se refletiu no andamento da tarde de ontem. Com início às 14 horas, já no começo houve suspensão dos trabalhos por vinte minutos para análises de pareceres.
Retomados os trabalhos, após a retirada do texto que prevê multa de até 10% para maus pagadores de tributos e dois outros aprovados, a vereadora Sandra Graça (SDD) pediu mais meia hora de suspensão para analisar os projetos que iam chegando aos poucos às mãos dos parlamentares. "Essa meia hora só dá para uma ‘olhadela’", disse o presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), antes de colocar o pedido em votação.
A discussão de mudança de zoneamento aos fundos dos bairros Jardim Aliança e Maria Cecília necessitou mais duas horas de suspensão de trabalhos para explicações de técnicos da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), entre 17h e 19h. As dúvidas levaram à aprovação, mas com votos contrários de Sandra, Jamil Janene (PP) e Professor Fabinho (PPS).
Até o fechamento da edição, 18 projetos haviam sido aprovados, um foi retirado e outros quatro aguardavam entrar em discussão.

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