Brasília - A ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, revelou ontem que o então ministro das Cidades Mário Negromonte indicou ao doleiro a compra de uma empresa de rastreamento de veículos de Goiânia (GO). A ex-contadora afirmou ainda que durante os anos em que prestou serviços para o doleiro, emitiu R$ 7 milhões em notas fiscais frias. As declarações foram dadas durante depoimento à CPI mista da Petrobras no Congresso. Negromonte, que era deputado federal pelo PP da Bahia, renunciou ao cargo para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, por indicação do governo Jaques Wagner (PT). Poza fez a referência quando dizia aos parlamentares que não tinha informações sobre contratos de empreiteiras ligadas ao esquema de Youssef com a Petrobras, mas disse que o doleiro podia ter dado presentes a servidores da estatal além do ex-diretor Paulo Roberto Costa.
Poza afirmou que Negromonte indicou a compra da empresa Controle e Monitoramento de Veículos. Segundo ela, a compra efetivamente ocorreu. "Depois, vim a saber que essa empresa teria sido indicada pelo então ministro das cidades Mário Negromonte. Havia uma aprovação do Denatran para que os carros saíssem já com o dispositivo de monitoramento. Só havia cinco empresas homologadas no país, e essa empresa de Goiânia era uma das homologadas", afirmou.
Esta é a segunda vez que Meire comparece ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre as suas atividades junto às empresas de Youssef. Durante o seu depoimento, a contadora admitiu ter emitido R$ 7 milhões em notas frias para lavar dinheiro desviado pelo esquema. Segundo Meire, ela recebia R$ 15 mil mensais para prestar os serviços para Youssef. "A minha empresa tem atividades, eu tenho clientes e presto serviços. A minha empresa é uma empresa de contabilidade e a exceção foram essas notas", disse.

Renan
Em depoimento à CPI mista da Petrobras, a contadora Meire Poza também afirmou que seu ex-cliente Alberto Youssef se reuniu com Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, para tratar de uma operação milionária de compra de debêntures para a Marsans Viagens e Turismo, uma agência de turismo que tinha Youssef como um dos investidores. O presidente do Senado divulgou nota em que nega ter se encontrado com o doleiro.
À CPI mista, Meire Poza relatou que, no dia 12 de março pela manhã, uma quarta-feira, ela e Youssef tomaram café da manhã juntos, ocasião em que o doleiro disse que, naquela noite, ele iria conversar com Renan Calheiros para tratar do aporte de R$ 25 milhões do Funcef. Segundo ela, a outra parte da operação, também no valor de R$ 25 milhões, já tinha sido acertada com o PT e seria feita por meio da Postalis.
A ex-contadora de Youssef afirmou que era preciso "acertar esta ponta, que era do PMDB". Ela disse que a operação com a Funcef não se concretizou porque o doleiro foi preso no dia 17 de março, a segunda-feira posterior ao suposto encontro com Renan.
Em nota, Renan Calheiros reitera que não conhece a pessoa mencionada no noticiário (Youssef) e que só soube da existência do mesmo "após as informações publicadas pelos jornais". "O senador, portanto, reafirma que nunca esteve, agendou conversas e nunca ouviu falar de Alberto Youssef e de sua contadora", afirma o presidente do Senado.

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