Na CPI, Dantas diz ter sido vítima de 'armação'
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - O banqueiro Daniel Dantas acusou ontem o delegado Protógenes Queiroz de prática de grampos ilegais no âmbito da Operação Satiagraha. Munido de quatro laudos feitos por encomenda a institutos e peritos privados, Dantas disse ter como provar que o ex-chefe da operação que o levou para a cadeia enxertou diálogos ilegais em arquivos de conversas feitas com autorização judicial. Além disso, o banqueiro sustentou que até grampos ambientais foram distorcidos e alterados pelo delegado com o objetivo de incriminá-lo.
Munido de habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe dava o direito de ficar calado para evitar que se auto incriminasse, Dantas falou por seis horas, mas só o que quis. Para a oposição, o banqueiro aproveitou seu depoimento para dar recados ao governo e à PF. Na base aliada, uma vez que os depoimentos e as investigações não trazem novidades, a pressão é para que a CPI seja ''enterrada''.
Um dos documentos entregues à CPI ontem era assinado pelo perito Ricardo Molina, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com base nele, o banqueiro sustentou não ter havido flagrante de suposto suborno de US$ 1 milhão a um delegado da PF durante a Satiagraha. Dantas foi condenado pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6 Vara Criminal, a dez anos de prisão por corrupção ativa e ao pagamento de multa de R$ 12 milhões. Segundo a denúncia do Ministério Público, Dantas teria utilizado Humberto Braz e Hugo Chicaronni para tentar subornar o delegado Victor Hugo Ferreira e, dessa forma, tirar seu nome das investigações da Satiagraha. ''Isso é uma armação. Esse crime não houve'', disse Dantas.
O laudo apresentado por Dantas mostra que a voz flagrada na tentativa de suborno não é de Braz. Apesar de Braz aparecer nas imagens que flagraram a cena do crime, Dantas disse que a fita foi utilizada para insinuar o suborno - mas teria sido adulterada para que as vozes não coincidissem com as imagens. ''A conversa sobre o dinheiro ocorreu quando o Braz estava no banheiro. A voz não é do Humberto Braz, está aqui na gravação. Ele foi ao banheiro, o delegado chama o cinegrafista para filmar o flagrante. Esse é o espírito da operação controlada. Mas não fizeram o flagrante'', afirmou.
Assessorado por três advogados, Dantas se disse vítima de ''uma operação de espionagem''. O banqueiro afirmou ter conhecimento que as gravações telefônicas originais realizadas durante a Operação Satiagraha ''desapareceram'' da instituição. Ele acusou a PF de se basear em cópias que foram ''adulteradas'' ao longo das investigações, mas não apresentou detalhes das supostas adulterações.
Dantas ainda acusou Protógenes de ter repassado para seus concorrentes material apreendido em sua residência. Para o banqueiro, o delegado teria agido para beneficiar interesses de empresas adversárias ao Opportunity durante o processo de fusão da Oi com a Brasil Telecom.


