Na corrida pela Prefeitura, PT e PSDB assediam aliados de Sandra Graça
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sábado, 27 de dezembro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A consolidação de uma chapa com 12 vereadores da nova legislatura para compor a Mesa Diretora da Câmara Municipal a partir de janeiro de 2009, com Sandra Graça (PP) para Presidência e Padre Roque (PTB) para vice-presidência, levou o PT e PSDB a consolidarem uma aliança e acirrar o assédio aos aliados do grupo majoritário. Juntos, o PT e PSDB contam com apenas seis nomes - chegam a sete com o apoio de Jairo Tamura (PSB).
Logo após ser tornada pública, a chapa liderada por Sandra foi torpedeada pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) como a consolidação do grupo ligado ao deputado estadual, Antonio Belinati (PP), na Câmara e, por consequência, na Prefeitura, de forma interina.
Ontem, nos bastidores da Câmara, ninguém mais arriscava um palpite sobre o resultado da disputa. Com as novas articulações, ganharam importância o posicionamento do PTB, dos vereadores eleitos Padre Roque e Professor Rony, e o PMDB de Tito Valle.
Nos cenários gerados pela reação à consolidação do grupo majoritário, surgiu a possibilidade da aliança PT/PSDB, atrair Tito Valle e oferecer a Presidência da Câmara para o PTB - que teria que deixar a aliança com Sandra Graça. Com isso, o grupo passaria a deter 10 dos 19 vereadores.
O PMDB reuniu-se ontem no início da noite e suspendeu o apoio de Tito Valle ao grupo majoritário. O partido chamou para si o posicionamento de seu vereador e vai tirar uma posição oficial nos próximos dias. Na reunião, Valle argumentou que o grupo dos 12 não representa uma chapa ''belinatista'', mas não conseguiu sensibilizar a Executiva.
''Estamos diante uma mini-eleição para a Prefeitura de Londrina. Não sabemos se o prefeito interino fica poucos meses ou até dois anos'', argumentou o presidente do Diretório Municipal do PMDB, Luiz Eduardo Cheida. No encontro, alguns peemedebistas ventilaram o nome do próprio Valle para a Presidência - como forma de valorizar o ''passe'' frente aos dois grupos.
Debandada
O PTB deve realizar uma reunião neste sábado ou no início da semana que vem para definir seu posicionamento. O deputado federal, Alex Canziani (PTB), envolveu-se nas negociações e não descartou a debandada dos dois vereadores petebistas para a chapa PT/PSDB.
''A política é muito dinâmica. Os próprios vereadores do partido não acharam que teria essa leitura de que a Sandra representa o Belinati na Prefeitura'', alegou.
O vereador eleito Padre Roque, que aparece na chapa dos 12 como vice-presidente, reconheceu que pode mudar de lado. ''O pessoal está malhando que a Sandra é do grupo de Belinati e tudo vai depender da decisão do grupo.''
O vereador Roberto Kanashiro (PSDB), que viu seu nome sofrer um processo de desidratação desde que se lançou candidato à Presidência, confirmou ontem a aliança com o PT, mas tentou manter-se na disputa pela cabeça da chapa.
'Agora, mais do que nunca, estamos conversando para tentar refazer um bloco majoritário'', disse.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) não deixou dúvidas, em entrevista à rádio Paiquerê AM, que o oferecimento da presidência ao PTB visa amolecer o grupo dos 12.
''Acho que tanto o PT quanto o PSDB podem abrir mão da disputa e apoiar outro nome. Por exemplo, o PTB poderia ser aliado e indicar o presidente, e, portanto, o prefeito interino.'' O presidente do PT, Sidnei Santos da Silva, confirmou ontem que esse entendimento tem o apoio da Executiva Municipal.


