Na contramão do País, cresce o percentual de jovens eleitores no PR
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

A quantidade de jovens de 16 e 17 anos - cujo voto é facultativo - aptos a comparecer às urnas caiu de 1.638.751 para 1.400.617 no País, uma redução de 14,53% em comparação com as últimas eleições majoritárias em 2014. Na contramão, o percentual de eleitorado jovem no Paraná cresceu 52%, passando de 65.014 em 2014 para 99.066 aptos a exercer o voto nas eleições de 2018.
O Paraná é o primeiro entre os estados do Sul e Sudeste do Brasil com maior percentual de eleitores desta faixa etária. Mas, proporcionalmente, a participação do público jovem do Estado nas eleições de outubro é menor que nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ocupando a 19ª posição geral (veja gráfico).
Dados do IBGE apontam que a população de 16 e 17 anos diminuiu 7,63% no mesmo período, o que pode justificar a queda no número de jovens nessa faixa para votar. Segundo o diretor estatístico do Instituto Multicultural, Edmilson Leite, outro fator é o aumento da população idosa. "O envelhecimento da população brasileira é uma das razões para a redução desse eleitorado - há cada vez menos jovens e mais idosos. Entre 2014 e 2018, o eleitorado com 70 anos ou mais aumentou quase 10%", avalia ele à FOLHA.
Entretanto, Leite lembra que outro fator é que o jovem, assim como a população em geral, está descrente com a política. "Vivemos uma animosidade em relação à política tradicional e à corrupção, todas as pesquisas que fizemos apontam para essa desilusão com o sistema político. Na prática, os jovens, na maioria, não participam do pleito, não embarcam no processo e nem discutiram com familiares ou amigos os rumos eleitorais do passado". Segundo o professor, há tendência desses jovens seguirem os pais ou votarem no candidato mais bem posicionado de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

DESESPERANÇA
Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Bianco Zalmora Garcia, o descrédito dos partidos e a falta de confiança nos políticos afetam a confiança dos jovens e aprofundam a desesperança de uma renovação. "A forma como os partidos se articulam, o descrédito nos partidos, o foco personalista de alguns políticos enfraquecem o conceito de confiança". No passado, os partidos mais à esquerda tinham a ideia de que o voto da juventude poderia fazer a diferença nas urnas e havia um investimento para atrair a militância. "Em 2013, com as manifestações e depois ocupações de escolas, até existiu esse movimento da politização dos jovens. Entretanto, a corrupção escancarada com a Lava Jato, entre outros episódios, e a maneira como os partidos se articulam trouxeram uma apatia profunda".
Segundo Zalmora, os jovens estão sem referência positiva na política. "Há aquele pensamento generalizado de que o voto não vai fazer diferença. Ele (o jovem) quer uma bandeira com a qual não se envergonhe", diz. O professor ressalta que aos 16 e 17 anos, em geral, o jovem tende a estar na fase mais idealista ao entrar em contato com disciplinas como história e filosofia. Por outro lado, a política de apadrinhamento que privilegia 'dinastias' ou 'orbita' em torno de um personagem como o ex-presidente Lula não atrai a militância na juventude. "Esse público não consegue diferenciar os partidos. Depois, há essa polarização que vira torcida de futebol em torno de conteúdo populista e demagógico".
PESQUISA
O estudante do Colégio Estadual Hugo Simas, de Londrina, Gustavo Henrique Carnavalli, de 17 anos, tirou o título neste ano. Ele garante que pesquisou bastante sobre os candidatos à Presidência. "Eu já tenho uma opinião, pesquisei sobre eles antes de decidir meu voto. Tenho vontade de querer mudar. Já para o governo e Senado ainda não defini, terei que pesquisar mais."


