Paraná tem maior percentual de eleitores de 16 e 17 anos registrados no TSE entre os estados do Sul e Sudeste
Paraná tem maior percentual de eleitores de 16 e 17 anos registrados no TSE entre os estados do Sul e Sudeste | Foto: Guilherme Mesquita/Schutterstock.com



A quantidade de jovens de 16 e 17 anos - cujo voto é facultativo - aptos a comparecer às urnas caiu de 1.638.751 para 1.400.617 no País, uma redução de 14,53% em comparação com as últimas eleições majoritárias em 2014. Na contramão, o percentual de eleitorado jovem no Paraná cresceu 52%, passando de 65.014 em 2014 para 99.066 aptos a exercer o voto nas eleições de 2018.

O Paraná é o primeiro entre os estados do Sul e Sudeste do Brasil com maior percentual de eleitores desta faixa etária. Mas, proporcionalmente, a participação do público jovem do Estado nas eleições de outubro é menor que nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ocupando a 19ª posição geral (veja gráfico).

Dados do IBGE apontam que a população de 16 e 17 anos diminuiu 7,63% no mesmo período, o que pode justificar a queda no número de jovens nessa faixa para votar. Segundo o diretor estatístico do Instituto Multicultural, Edmilson Leite, outro fator é o aumento da população idosa. "O envelhecimento da população brasileira é uma das razões para a redução desse eleitorado - há cada vez menos jovens e mais idosos. Entre 2014 e 2018, o eleitorado com 70 anos ou mais aumentou quase 10%", avalia ele à FOLHA.

Entretanto, Leite lembra que outro fator é que o jovem, assim como a população em geral, está descrente com a política. "Vivemos uma animosidade em relação à política tradicional e à corrupção, todas as pesquisas que fizemos apontam para essa desilusão com o sistema político. Na prática, os jovens, na maioria, não participam do pleito, não embarcam no processo e nem discutiram com familiares ou amigos os rumos eleitorais do passado". Segundo o professor, há tendência desses jovens seguirem os pais ou votarem no candidato mais bem posicionado de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

Imagem ilustrativa da imagem Na contramão do País, cresce o percentual de jovens eleitores no PR



DESESPERANÇA
Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Bianco Zalmora Garcia, o descrédito dos partidos e a falta de confiança nos políticos afetam a confiança dos jovens e aprofundam a desesperança de uma renovação. "A forma como os partidos se articulam, o descrédito nos partidos, o foco personalista de alguns políticos enfraquecem o conceito de confiança". No passado, os partidos mais à esquerda tinham a ideia de que o voto da juventude poderia fazer a diferença nas urnas e havia um investimento para atrair a militância. "Em 2013, com as manifestações e depois ocupações de escolas, até existiu esse movimento da politização dos jovens. Entretanto, a corrupção escancarada com a Lava Jato, entre outros episódios, e a maneira como os partidos se articulam trouxeram uma apatia profunda".

Segundo Zalmora, os jovens estão sem referência positiva na política. "Há aquele pensamento generalizado de que o voto não vai fazer diferença. Ele (o jovem) quer uma bandeira com a qual não se envergonhe", diz. O professor ressalta que aos 16 e 17 anos, em geral, o jovem tende a estar na fase mais idealista ao entrar em contato com disciplinas como história e filosofia. Por outro lado, a política de apadrinhamento que privilegia 'dinastias' ou 'orbita' em torno de um personagem como o ex-presidente Lula não atrai a militância na juventude. "Esse público não consegue diferenciar os partidos. Depois, há essa polarização que vira torcida de futebol em torno de conteúdo populista e demagógico".

PESQUISA
O estudante do Colégio Estadual Hugo Simas, de Londrina, Gustavo Henrique Carnavalli, de 17 anos, tirou o título neste ano. Ele garante que pesquisou bastante sobre os candidatos à Presidência. "Eu já tenho uma opinião, pesquisei sobre eles antes de decidir meu voto. Tenho vontade de querer mudar. Já para o governo e Senado ainda não defini, terei que pesquisar mais."

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