Na Colômbia, Cardoso prega a fraternidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 1997
Agência Folha Cartagena, Colômbia 
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o Brasil não tem qualquer aspiração hegemônica em relação a América Latina, mas disse que o Brasil não pode deixar de capitanear a discussão para o estreitamento das relações políticas e econômicas da região. Essa é a peça fundamental da nossa política de relações exteriores, disse FHC, para logo em seguida defender os princípios que norteiam essa política: irmandade e fraternidade.
Todo esse discurso foi o pano de fundo para o apoio político que FHC deu ao presidente da Colômbia, Ernesto Samper, que enfrenta problemas internos e com os Estados Unidos por estar sendo acusado de receber dinheiro do narcotráfico para sua campanha eleitoral. Questionado sobre o apoio dado a Samper, apesar das acusações que pairam contra ele, FHC foi incisivo: Não se trata no caso de exercer qualquer atitude ou atividade que seja contra esse ou aquele (se referindo a Samper, ao seu lado). É a favor da Colômbia, é a favor do Brasil.
Um dos objetivos da visita de FHC à Colômbia foi a de demonstrar a união da América do Sul em alguns temas comuns, como na política de combate ao tráfico de drogas. O Brasil não é produtor de droga, é corredor, mas não se esquiva de suas responsabilidades e de colaborar no controle e combate a esse problema, afirmou.
O presidente colombiano foi irônico ao comentar as declarações do embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Myles Frechette - que está deixando o país após três anos - , de que Samper nunca entrará nos Estados Unidos e de que há dificuldades no futuro das relações entre os dois países. Como em todos os bons contos infantis, essa história tem um final feliz. O embaixador Frechette se foi e o presidente Samper ficou.


