O vereador Alcebíades Pereira da Silva (sem partido) disse ontem à tarde que o PMDB de Cascavel ‘‘tem agora um gerente, ou até mesmo proprietário’’, o deputado federal reeleito Hermes ‘‘Frangão’’ Parcianello. O vereador pode ter exagerado, mas ‘‘Frangão’’ é o líder sobrevivente do partido na cidade, com os fracassos eleitorais do ex-governador Mário Pereira, também candidato a federal, sua mulher Marlene (estadual), e o ex-prefeito Fidelcino Tolentino (estadual).
O PMDB de Cascavel já foi considerado um dos mais bem estruturados do Paraná, com grande força junto ao eleitorado. Da antiga força da legenda restou agora a reeleição de ‘‘Frangão’’, mas com grande parte dos 50 mil votos que obteve oriundos de outras cidades, e a vitória (local) do senador Roberto Requião sobre o governador Jaime Lerner (PFL). Os problemas do partido começaram na última eleição municipal, quando Mário Pereira recusou a candidatura a prefeito, que o PMDB tentou lhe impor em convenção.
‘‘Frangão’’ teve que aceitar substituir Mário, para que o partido não ficasse sem candidato, e nesta ocasião começou a sacramentar sua liderança. Agora, a candidatura de Mário Pereira (que havia sido seu padrinho político no início da carreira) poderia ter dificultado suas chances de reeleição, assim como o fato de às vésperas da eleição sete dos oito vereadores peemedebistas terem abandonado o partido - entre eles Alcebíades Pereira -, abraçando outras candidaturas.
‘‘Perderam todos’’, afirma o deputado, que também volta bateria contra o presidente do Diretório, Marcus Vinicius Pires de Souza: ‘‘Ele está fragilizado pela conduta inadequada em todo o processo e não reúne mais condições de estar na presidência’’. O termo ‘‘fragilizado’’ também é usado por ‘‘Frangão’’ ao se referir ao prefeito Salazar Barreiros (PPB), que aderiu a Lerner a menos de um mês da eleição; apesar de sua reconhecida força, não impediu que Requião vencesse Lerner com vantagem de 10 mil votos na cidade.
‘‘Frangão’’ também se sobressaiu ao ‘‘peso pesado’’ da política local, o ex-secretário de governo Joni Varisco (PTB), que foi candidato a federal, e, na mesma disputa, ao empresário Renato Silva (PSDB) - embora este tenha sido disparadamente o mais votado na cidade, com apoio explícito da Igreja Católica. Por este detalhe, Renato Silva pode pretender uma candidatura a prefeito em 2000, e, se ‘‘Frangão’’ voltar a disputar, ser um de seus principais oponentes, ao lado do próprio prefeito Salazar Barreiros - se este tentar a reeleição.

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