Brasília - O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou ontem em audiência em duas comissões da Câmara ser vítima de um ''tribunal de exceção'' pelas acusações que vem sofrendo nos últimos dias. ''Considero muito grave algumas afirmações, de que não importa a apuração, não importa o processo, o que importa é que há uma denúncia. Lembrei do tribunal de Nuremberg, do dito brasileiro: 'às favas os escrúpulos'. Isso é um tribunal de exceção. Acusar alguém e não provar, acusar alguém sem o devido processo é fazer um tribunal de exceção. Isso tangencia para o fascismo'', disse o ministro. Ele voltou a manifestar sua inocência diante das acusações de João Dias Ferreira de que recebera propina de contratos celebrados no âmbito do programa Segundo Tempo.
O ministro reiterou também as acusações contra o policial militar: ''Quem faz a agressão trata-se de um desqualificado, de um criminoso, de pessoa que foi presa, é uma fonte bandida''. Ele lembrou que foi o ministério que detectou irregularidades nos dois convênios firmados com entidades de João Dias: ''Até aqui esse desqualificado falou e não provou. Não provou porque não tem provas. Quem tem provas do malfeito sou eu e estão aqui. Foi tudo encaminhado ao TCU''. A exposição do ministro durou cerca de meia hora.
Embora tenha adiado ontem o depoimento que prestaria à Polícia Federal, o policial militar participou de uma reunião com lideranças da oposição no Congresso Nacional. Ferreira não foi à PF alegando motivos de saúde. Na reunião com os parlamentares, ele afirmou que em breve novos documentos serão mostrados para comprovar os desvios. Segundo ele, há ''mais de 300 caixas pretas''. O encontro com lideranças do PSDB, DEM e PPS aconteceu na liderança dos tucanos no Senado, no mesmo momento em que Orlando Silva prestava depoimento à Câmara. ''Eu sou pai de família, cidadão brasileiro, com endereço e CPF. Não sou bandido. Em pouco tempo saberão quem é quem'', disse Ferreira.
O policial militar disse que esteve ontem com deputados federais e senadores para pedir proteção, já que está sofrendo ameaças de morte. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que o partido encaminhou ao Ministério da Justiça um pedido de ''garantia de vida'' para o policial militar.

Imagem ilustrativa da imagem Na Câmara, Orlando Silva diz ser vítima de 'tribunal de exceção'