Bom Jesus da Lapa Na terra do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, admitiu ontem a possibilidade de abrigar em sua campanha políticos do PFL, partido que apóia Ciro Gomes (PPS).
Ao desembarcar em Bom Jesus da Lapa, conhecida como a capital baiana da fé, o tucano adotou a estratégia de manter distância de polêmicas envolvendo Ciro e seus aliados. ''Em matéria de Frente Trabalhista (coligação que sustenta a candidatura Ciro), não tenho nada para falar'', disse. ''Eu quero debater programa de governo.''
Sobre articulações políticas com o PFL, ex-aliado do governo Fernando Henrique, o tucano frisou que ''não sabe o que vai acontecer nesta área'', mas disse que os políticos e eleitores que quiserem apoiar seu plano de governo serão bem-vindos. ''Eu estou realmente concentrado na minha campanha para ter o maior apoio possível para fazer o seguinte no Brasil: criar oito milhões de empregos nos próximos quatro anos. Todos que apoiarem este projeto estarão me apoiando'', declarou, ao falar sobre a possibilidade de adesão do PFL.
Serra sabe, no entanto, que há entraves para viabilizar um acordo. Dois deles estão no próprio Partido da Frente Liberal: ACM, seu inimigo declarado, e o presidente nacional da legenda, senador Jorge Bornhausen (SC). Há também outros complicadores. Dois políticos baianos aliados de Serra, os líderes na Câmara Geddel Vieira Lima (PMDB) e Jutahy Júnior (PSDB), por exemplo, são adversários de ACM.
Por isso, Serra esclareceu que, neste momento, ''não está participando de nenhuma articulação política'' envolvendo o PFL. E deixou claro que uma eventual negociação com os pefelistas terá de ser avalizada por seus aliados e, evidentemente, por seus adversários. ''Eu respeito o que cada partido decidir. Jamais vou interferir na vida de cada partido.''

mockup