Curitiba - A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) provocou uma rara unanimidade na Assembléia Legislativa. Do PT ao PFL, os deputados se manifestaram contrários à decisão pela verticalização às vésperas das eleições, marcadas para outubro.
‘‘Da forma como foi feito, depois do fim do prazo para mudanças partidárias, é complicado’’, reclamou o líder da bancada pefelista, deputado Plauto Miró Guimarães. ‘‘Condeno essa decisão às vésperas da eleição.
A maioria dos parlamentares defendeu a repetição das alianças nacionais nos Estados porque isso contribui para a ‘‘coerência partidária’’, porém ponderou que, no Paraná, a decisão causa transtornos. Peemedebistas, por exemplo, preferem a idéia da candidatura própria a ter que dividir palanque com o PFL.
De acordo o deputado Nereu Moura, o PMDB nacional vai tentar reverter a decisão do TSE por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), no Supremo Tribunal Federal (STF). ‘‘Se o PMDB se unir ao PFL, nem saio candidato’’, protestou o deputado. O PMDB não deve ser o único partido a contestar judicialmente a medida.
Para José Maria Ferreira (PDT), favorável à decisão do TSE, a verticalização ‘‘é o primeiro passo para concretizar a reforma partidária’’. ‘‘Temos que começar a ter coerência, mas é claro que isso vai causar uma série de transtornos localmente’’, completou Marcos Isfer (PPS).
Luiz Carlos Alborghetti (PTB) adotou discurso diferente. ‘‘O povo não vota em partido, vota no candidato’’, resumiu.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), deu o tom das costuras mantidas entre PSDB e PMDB ao comentar a verticalização. ‘‘Já estava trabalhando com essa hipótese há muito tempo. Agora precisa de agilidade por parte das direções nacionais. Aqui, ficamos bloqueados por enquanto’’, disse. Brandão classificou a decisão de ‘‘camisa-de-força’’. ‘‘Mas decisão judicial cumpre-se’’, emendou.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), disse que é um ‘‘casuísmo pré-eleitoral’’. ‘‘Vai se oficializar a traição, a infidelidade contumaz’’, avisou.
O deputado Tony Garcia (PPB), que cobiça uma vaga no Senado, acredita que podem caminhar juntos no plano nacional PSDB, PMDB, PPB, PFL e PTB. ‘‘Achei essa decisão ótima, mas seria melhor antes do final do prazo para mudar de partido’’. Na avaliação do líder da bancada de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), ‘‘foi um avanço qualitativo’’.

mockup