Curitiba – Na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o projeto de lei 748/2015, que instituía o "Escola sem Partido" na rede estadual de ensino, foi arquivado em dezembro de 2015, por solicitação do próprio autor, Gilson de Souza (PSC). Alvo de fortes críticas de professores e representantes de movimentos LGBTs (de lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais), o texto vedava, em sala de aula, a prática da "doutrinação política e ideológica", bem como a realização de atividades que entrassem "em conflito com as convicções dos pais" ou o "natural desenvolvimento" da personalidade dos estudantes, "em harmonia com a identidade biológica de sexo".
A mensagem foi protocolada na AL em setembro daquele ano e, desde então, patinava na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ), onde teve seu debate adiado por diversas vezes. Souza, que é membro da chamada bancada evangélica, alegava estar preocupado com o que educadores falam aos estudantes sobre orientação sexual. Segundo ele, essas informações não são científicas e podem ir contra o que "a família" ensina em casa. Na matéria, o parlamentar dizia ainda existir uma tendência de que os docentes, principalmente os de esquerda, estivessem usando as aulas para estimular a participação em manifestações públicas.
"Infelizmente, foi vendida uma imagem daquilo que o projeto não é", lamentou o autor, à época. Então vice-líder do governo e presidente da Comissão de Educação, Hussein Bakri (PSC), defendeu o projeto, mas admitiu ter sido um erro não discuti-lo antes de encaminhá-lo à Assembleia. Já Professor Lemos (PT) considerou o arquivamento uma vitória da educação. "Não amordaçar o professor e não calar a boca do estudante é muito importante.". A secretária da Educação, Ana Seres, também era contra. "Quanto à discussão partidária, a escola é política e sempre será política", afirmou, em entrevista à FOLHA.

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