Na AL, embate permanece após explicações da Copel
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quarta-feira, 09 de julho de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O diretor-presidente da Copel Distribuição, Vlademir Daleffe, voltou a afirmar que o reajuste de 24,86% na conta básica de luz dos paranaenses, solicitado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), se deu em função da "necessidade de geração térmica, que é muito mais cara do que a hidráulica". Após dois adiamentos, ambos por "incompatibilidade de agendas", ele e mais quatro diretores da companhia compareceram ontem à Assembleia Legislativa (AL) do Estado para responder a questionamentos dos deputados.
Proposta pelo líder do PT, Tadeu Veneri, e agendada pelo líder do governo Beto Richa, Ademar Traiano (PSDB), a visita foi uma tentativa de trazer argumentos técnicos ao debate. Desde o primeiro anúncio de aumento, em maio, tucanos e petistas tentam transferir uns para os outros a responsabilidade do reajuste. A princípio, a Copel encaminhou à Aneel um pedido de recomposição de 32,4%, sendo que a agência autorizou 35,05%. Diante da reação negativa, o governador se disse "surpreso" e pediu que o índice fosse recalculado. O aval deve ser dado na próxima reunião da diretoria da Aneel, ainda sem data definida.
"A Aneel soma os contratos e define o valor, mas não é uma determinação unilateral. A Copel manda os seus dados, audita e certifica se eles estão corretos ou não. Nesta certificação, a Aneel eventualmente pode identificar algumas diferenças. É errado falar que a Copel definiu um índice aleatoriamente", justificou Daleffe, acrescentando que o custo de operação e manutenção da estatal "é de apenas 1,6%".
Além dele, estiveram no plenário o diretor-presidente da Copel, Geração e Transmissão, Sérgio Luiz Lamy, o diretor de Desenvolvimento de Negócios, Jonel Nazareno Iurk, o gerente do setor de Planejamento e Comercialização de Energia, Marcílio Ulysses Nagayama, e o diretor-adjunto da Copel Distribuição, Acássio Nagayama. Apenas os dois primeiros, contudo, se pronunciaram. Veneri, Nelson Luersen (PDT) e Elton Welter (PT) foram os únicos a fazer perguntas aos executivos.
Vlademir Daleffe ressaltou o fato de a companhia ser hoje segmentada em negócios. Ao contrário do grupo como um todo, cujo lucro líquido no primeiro trimestre foi de R$ 583 milhões, a Copel Distribuidora teria apresentado prejuízo de R$ 14 milhões. "Graças a esse resultado positivo do grupo é que nós conseguimos dar um deferimento de 15%. Se a Copel fosse uma empresa puramente distribuidora, não seria possível."
Para Veneri, muitas perguntas acabaram ficando sem resposta. "Quanto será o custo da energia no ano que vem, uma vez que a Copel está abrindo mão dos 35% a que teria direito neste ano? Esse deferimento, somado ao custo de 2015, chegará perto de 35% a 40%?", indagou. "A direção da Copel fez uma opção política de ter uma energia que gerasse mais lucro aos seus acionistas, em detrimento de uma energia mais barata para os consumidores", criticou.
Já Traiano voltou a culpar o governo federal pela necessidade do reajuste. "A oposição nunca se dá por satisfeita. Estamos vivendo um momento eleitoral e é muito mais fácil levar pelo lado de que a iniciativa é do governo (do Estado), o que não é. A responsabilidade é de toda essa bagunça do setor energético brasileiro, da falta de infraestrutura."


