Conteúdo das mensagens divulgadas pelo site The Intercept repercutiu na Assembleia Legislativa
Conteúdo das mensagens divulgadas pelo site The Intercept repercutiu na Assembleia Legislativa | Foto: Orlando Kissner/Alep

A publicação de mensagens entre o então juiz federal Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol pelo site The Intercept Brasil, no domingo (9), foi um dos temas levados por deputados estaduais à sessão da AL (Assembleia Legislativa do Paraná) desta segunda-feira (10). Parlamentares do PT se manifestaram sobre o assunto com denúncias contra Moro e Dallagnol e questionamentos referentes ao processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do lado oposto, deputados do PSL saíram em defesa da operação Lava Jato e questionaram a forma como o material foi obtido pelo site.

“É o comentário do dia”, contou à FOLHA o deputado Professor Lemos (PT). “Oposição e situação estão acompanhando cada nova informação”, disse o parlamentar — para quem o teor das mensagens confirma denúncias do PT de que o hoje ministro da Justiça teria sido parcial ao julgar Lula. “O caso precisa ter consequências, para que isso seja evitado, ou ninguém mais terá segurança jurídica no país”, afirmou.

Já o Delegado Francischini (PSL) disse não confiar na autenticidade das mensagens divulgadas pelo Intercept e cobrou a apuração sobre a obtenção do material — para ele, fruto de invasão das comunicações de autoridades de Estado. O deputado afirmou não considerar que as notas sobre o assunto publicadas pelo ministro Moro e pelo MPF reconheceram a autenticidade das mensagens. Para ele, não há garantias de que não houve “uma palavra a mais ou uma frase colocada fora de contexto”, e isso só poderia ser apurado por meio de perícia.

“Nossa visão [do PSL] é que aquilo não foi vazamento. Aquilo é um crime. E quem tem dado divulgação está cometendo um crime, pois está divulgando um fato criminoso”, disse.

Francischini afirmou que a revelação das mensagens é “uma montagem política” para beneficiar Lula e afetar a Lava Jato, classificando o Intercept como um “blog totalmente vinculado à esquerda”. Quanto ao conteúdo, disse não ter visto nas conversas “nada que pudesse colocar em xeque a atuação da Justiça ou do Ministério Público”.

“É um teor normal entre delegados, procuradores e juízes que trabalham na área criminal”, disse. O deputado também avaliou que o caso não deve afetar o andamento de projetos que interessam ao governo federal no Congresso. “São pautas distintas”, declarou.

Tadeu Veneri (PT), que falou sobre o tema na tribuna, disse que a relevância do caso está além do partido. Ele avaliou que ficou demonstrado que o então juiz Moro atuou como “investigador”. “O que foi feito foi gravíssimo. Eu diria que, do ponto de vista do Judiciário, é a crise mais grave da República”, avaliou.

O deputado disse que justificar a forma como a operação foi conduzida com os resultados da Lava Jato seria o mesmo que “aceitarmos que a tortura é válida para obter informações nas delegacias”. “A questão não é o PT. É o cidadão comum, que é a maior vítima disso”, disse.

Na tribuna, Ricardo Arruda (PSL) defendeu os resultados obtidos pela Lava Jato e disse que Moro “limpou o Brasil”. Ele também atribuiu as mensagens divulgadas pelo Intercept a uma invasão de um hacker e apontou que o jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do Intercept, é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ). “Vocês já podem pegar por aí o fio da meada, que é o viés ideológico”, disse.

Arruda também questionou a veracidade do conteúdo, mas disse que, se as falas de fato aconteceram, continuaria “dando parabéns” a Moro. “Ninguém pode ser julgado por prender vagabundo e criminoso”, disse.

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