Abuja, Nigéria - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que o acordo com o PMDB é importante porque não vai mais ter de ''ficar discutindo cargos''. Lula ressaltou, no entanto, que não teve nenhum problema de governabilidade no primeiro mandato. ''Primeiro, não tive problemas de governabilidade no primeiro mandato. Com a aprovação do Fundeb (fundo para a educação básica) e da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, aprovei tudo o que mandei para o Congresso Nacional, tudo o que era relevante'', disse Lula durante entrevista em Abuja, antes de retornar ao Brasil.
Em quatro anos de mandato, o governo Lula se deparou com o escândalo do mensalão e com a máfia dos sanguessugas, por exemplo. A oposição chegou até a cogitar pedir seu impeachment. Seus ministros mais próximos tiveram de deixar o governo e o Congresso ficou paralisado por meses a fio por causa de CPIs.
Apesar da comemoração do petista, o Fundeb ainda está em tramitação no Congresso, à espera de nova votação para só então ir à sanção presidencial. O presidente assumiu, indiretamente, que teve de negociar cargos em troca de apoio durante seu primeiro mandato. ''É importante esse gesto do PMDB e espero que seja um gesto de todos os partidos que compunham a base do governo, para que a gente possa, ao invés de ficar discutindo cargos, discutir políticas públicas'', afirmou. ''E agora que não tem eleições por perto, vai ficar muito mais fácil a gente fazer isso.''
Lula só se movimentou de cadeira de rodas no segundo e último dia de sua sexta viagem à África. Com o tornozelo menos inchado e já de sapato, ao contrário do dia anterior, o presidente brincou que na segunda-feira deve estar pronto até para jogar futebol.
Após um café da manhã de quase uma hora com o ditador Muammar Gaddafi, o presidente Lula defendeu as relações com o país, acusado de desrespeitar direitos humanos. ''Todo mundo sabe que a Líbia tem caminhado para um processo de democratização. Às vezes nem sempre é compreendida a visita de um presidente do Brasil à Líbia. Mas quando a Inglaterra visita todo mundo acha o máximo. Lamentavelmente as coisas acontecem assim no Brasil'', disse Lula, que foi criticado por ter se reunido com Gaddafi em Trípoli em 2003. Pouco depois, em 2004, o premiê britânico Tony Blair fez o mesmo.

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